Parte da população busca alternativa mais econômica para cozinhar

Pandemia e sucessivos reajustes no preço do gás intensificaram busca pela madeira mesmo no verão

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O encarecimento no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado cotidianamente para cozinhar alimentos, está fazendo com que os passo-fundenses busquem alternativas mais econômicas para gerenciar os gastos com as atividades domésticas e apelem ao uso de lenha para racionar o consumo do botijão.  

A pandemia e o fim do auxílio emergencial pago pelo Governo Federal, que aprofundou a crise econômica para 45,6 mil moradores locais cadastrados para recebimento do benefício, aumentou em torno de 10 a 15% a venda de lenha no comércio da madeira mantido, em Passo Fundo, pelo proprietário Jorge Mendiola nos três primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. “As pessoas estão mais em casa e utilizam o fogão para esquentar uma água ou deixar as panelas”, observou o comerciante em entrevista ao jornal O Nacional na terça-feira (2).  

O preço, como sinalizou, é um dos principais fatores para a substituição. Enquanto um botijão de gás está sendo vendido a cerca de R$ 92 reais em uma distribuidora na zona central da cidade, um saco contendo 30 lascas “um pouco mais grossas”, segundo observado por Mendiola, custa a partir de R$ 15 reais ao consumidor. 

Quinto reajuste em três meses 

No mesmo dia em que o comerciante de lenha comentava sobre uma maior movimentação dos moradores passo-fundenses que vão em busca dos sacos no local de venda, como ponderou Mendiola, o gás de cozinha, o diesel e a gasolina sofriam o quinto reajuste em três meses nas refinarias da Petrobrás.  

Segundo as novas políticas de preços, o litro da gasolina ficou R$ 0,12 mais caro (4,8%) e passou a custar R$ 2,60 para a venda às distribuidoras. Já o aumento do óleo diesel foi de 5% (ou R$ 0,13 por litro). O preço para as distribuidoras passou a ser de R$ 2,71. Já o gás liquefeito de petróleo ficou 5,2% mais caro. O preço do GLP para as distribuidoras será de R$ 3,05 por quilo (R$ 0,15 mais caro), ou seja R$ 36,69 por 13 kg (ou R$ 1,90 mais caro). 

O preço informado pela Petrobras se refere ao produto vendido às distribuidoras. Segundo a empresa, até chegar ao consumidor final, o preço do combustível sofre o acréscimo de impostos, o custo para a mistura obrigatória de biocombustíveis e os custos e margens das distribuidoras e postos de gasolina.  

Governo zera impostos 

Em um decreto e em uma medida provisória, editados na noite de segunda-feira (1°), o Governo Federal zerou as alíquotas da contribuição do Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a comercialização e a importação do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo (GLP) de uso residencial.  

Em relação ao diesel, a diminuição terá validade durante os meses de março e abril. Quanto ao GLP, ou gás de cozinha, a medida é permanente. A redução do gás somente se aplica ao GLP destinado ao uso doméstico e embalado em recipientes de até 13 quilos. “As duas medidas buscam amenizar os efeitos da volatilidade de preços e oscilações da taxa de câmbio e das cotações do petróleo no mercado internacional”, justificou a Secretaria-Geral da Presidência da República em nota enviada à Agência Brasil. 

Regiões que ardem 

A expansão do uso do recurso natural para o preparo das refeições vem sendo notado nos últimos dois anos no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em maio de 2020, mostraram que 14 milhões de lares brasileiros contavam com a lenha ou carvão para cozinhar alimentos em 2018, em um aumento de 3 milhões em comparação a 2016.  


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