OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A questão nuclear iraniana é central à geopolítica do Oriente Médio e por que não, mundial, já que as incógnitas com o enriquecimento de urânio por parte do regime de Khamenei tiram o sono dos líderes ocidentais. As dúvidas aumentaram nas últimas eleições no país, que colocaram no poder Ebrahim Raisi, em substituição ao líder atual, Hassan Rouhani, que deixa o comando em 5 de agosto. Raisi, desde eleito, tem demonstrado o seu pessimismo com o possível acordo nuclear, envolvendo, no mínimo, seis potências Ocidentais, pela liderança dos EUA, também conhecido como “Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA)”. O último diálogo do grupo, em Viena, restou frustrado. Ao menos, desde 2015, o grupo de países (Alemanha, Reino Unido, França, Rússia, China e EUA) procura negociar. Em 2018 houve uma interrupção nas negociações, ordenada, então, pelo Presidente Donald Trump. Nos últimos meses, o regime iraniano tem bloqueado o acesso de inspetores em suas plantas de enriquecimento de urânio, demonstrando a sua pouca vontade de cooperar na questão nuclear. Em suas últimas declarações, Raisi havia negado a possibilidade de um encontro com o atual Presidente americano, Joe Biden. Todavia, quem manda no regime é o Aiatolá Ali Khamenei, “Líder Supremo” do país.

 

Khamenei 

O que acendeu ainda mais o sinal vermelho no Ocidente, foram as recentes manifestações de Khamenei, que culpam frontalmente os EUA pelos retrocessos nas negociações do Acordo Nuclear, por terem agido “covarde e maliciosamente”. A afirmação é um balde de água fria sobre os tímidos avanços na última rodada do JCPOA, em Viena. Logo, a manifestação coaduna com as últimas inserções de Raisi, que traziam pessimismo sobre qualquer avanço, demonstrando, portanto, a sintonia entre os líderes. A situação que se estabelece é delicada: de um lado, as potências ocidentais apontam a falta de vontade e cooperação iraniana no sentido de refrear o enriquecimento de urânio (que poderia ser usado militarmente), do outro, o regime afirma não ter intenção em futuro uso militar (o que soa improvável, evidentemente). Somado a isso, desde o rompimento de Trump em 2018, o Irã vem desrespeitando todos os limites anteriores, promovendo ações internas que escapam de qualquer possibilidade de avaliação. Segundo o regime, seriam “ações reversíveis”. Todavia, há muito pessimismo entre os líderes internacionais de que sejam reversíveis, visto que o regime não tem permitido o acesso das inspeções de rotina em suas plantas de enriquecimento pela Agência Internacional de Energia Atômica.

 

Biden 

O revés no Acordo, motivado pelas últimas manifestações de Khamenei e a falta de cooperação do regime, está criando o maior desafio geopolítico no Oriente Médio à gestão Biden (que tem lançado as suas principais estratégias e preocupações no espaço geopolítico do Sudeste Asiático). Parece pouco provável, a essa altura das discussões, que Washington alivie as sanções ao regime iraniano, ainda mais com a declaração recente de Khamenei. 

 

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