IBGE divulga número de idosos por bairro em Passo Fundo

Dados do Censo Demográfico 2022 foram estratificados nas 22 regiões da cidade

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IBGE segue estratificando os dados coletados durante o censo demográfico de 2022 -  FOTO - ON/ARQUIVOIBGE segue estratificando os dados coletados durante o censo demográfico de 2022 -  FOTO - ON/ARQUIVO
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Dados divulgados nesta semana pelo IBGE, a partir do Censo Demográfico de 2022, confirmam uma mudança importante no perfil etário da população brasileira e, especialmente, de Passo Fundo. Em uma década, o número de pessoas com 60 anos ou mais na cidade cresceu 47,3%, passando de 27.544 em 2010 para 34.647 em 2022. Isso representa 17,2% da população total do município, que ficou em 214.567 habitantes no último levantamento.

O aumento expressivo reforça a tendência de envelhecimento populacional observada em todo o país. Na comparação nacional, o Brasil teve um crescimento de 56% na população idosa, enquanto no Rio Grande do Sul o índice foi de 41,4%. “Estamos vivendo um novo momento demográfico. O avanço da longevidade e a queda nas taxas de natalidade fazem com que o grupo de pessoas idosas cresça de forma consistente, o que exige novas políticas públicas e uma revisão das prioridades sociais”, avalia o chefe da agência regional do IBGE em Passo Fundo, Jorge Benhur Bilhar.


O retrato da cidade

Segundo os dados do IBGE, Passo Fundo tem hoje mais idosos do que crianças. Em 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais ((34.647) superou o total de crianças de até 9 anos (28.826), indicando uma inversão no padrão demográfico tradicional. Além disso, a faixa de 0 a 14 anos representa apenas 17,4% da população, quase o mesmo percentual que os idosos.

Outra mudança, de acordo com Bilhar, diz respeito à idade média dos moradores de Passo Fundo, que passou de 33 anos em 2010 para 37 anos em 2022. O dado reforça o envelhecimento gradual da população. “É uma mudança significativa, que não ocorre de forma pontual, mas estrutural. E tem impactos em todas as áreas: educação, saúde, trabalho, previdência e infraestrutura urbana”, comenta Bilhar.


Dados estratificados por bairros 

Quando se observa a distribuição por bairros, o IBGE destaca que o maior número de idosos está na região central da cidade, que inclui o Bairro Centro e Vila Vergueiro, com 5.655 pessoas com 60 anos ou mais. Em seguida, estão os bairros Boqueirão (3.898) e Vera Cruz (3.550). Também chama atenção o Bairro Lucas Araújo, que aparece entre os seis bairros com maior população idosa, totalizando 2.028 pessoas. “Essas regiões concentram grande parte dos serviços de saúde, mobilidade e comércio, o que pode justificar a permanência dos idosos nesses territórios. O Centro, em especial, é um local que oferece infraestrutura mais acessível, o que é essencial para essa faixa etária”, explica Bilhar.


Desafios e oportunidades

O chefe destaca que com a crescente presença de pessoas idosas, surgem novos desafios, como a ampliação da rede de atendimento em saúde, a oferta de atividades de lazer e convivência, o incentivo ao envelhecimento ativo e a necessidade de acessibilidade nos espaços públicos. Por outro lado, a presença de uma população mais experiente pode ser vista como uma oportunidade para ampliar a participação cidadã e valorizar saberes acumulados ao longo da vida.

Bilhar reforça que é fundamental olhar para esses dados com responsabilidade e planejamento. “É preciso pensar em cidades que acolham todas as faixas etárias. Uma cidade boa para os idosos é também boa para todos, porque prioriza mobilidade, serviços próximos, segurança e qualidade de vida. O Censo nos dá as ferramentas para planejar o futuro com base em evidências”, afirma.


Planejamento com base em dados

O IBGE reforça que o Censo 2022 deve ser a principal referência para a formulação de políticas públicas nos próximos anos. Com dados mais detalhados e atualizados, é possível mapear com mais precisão as áreas que precisam de atenção prioritária, seja na saúde preventiva, na criação de centros de convivência ou no estímulo a iniciativas intergeracionais. “A informação é o ponto de partida para qualquer ação efetiva. Os dados do Censo mostram uma realidade em transformação, e cabe a todos — poder público, sociedade civil e iniciativa privada — agir com responsabilidade e sensibilidade para garantir que o envelhecimento da população ocorra com dignidade e qualidade de vida”, conclui Bilhar.


Novo perfil

Para Bilhar, os dados revelam um novo perfil demográfico que deve ser considerado nas decisões de governo. “É um contingente populacional significativo e crescente. Isso impõe um grande desafio para os municípios, que precisam repensar sua estrutura de serviços, especialmente na área da saúde, mobilidade urbana, habitação e inclusão digital”, destaca.

Além disso, a presença dos idosos nas comunidades representa também um potencial social e econômico. Muitos seguem ativos no mercado de trabalho, engajam-se em projetos sociais, culturais e educativos e contribuem com sua experiência e sabedoria na vida familiar e comunitária.

O Censo também revela que entre os idosos de Passo Fundo, a maioria é composta por mulheres: 23.184 contra 11.480 homens. Essa diferença é reflexo da maior expectativa de vida feminina e reforça a importância de políticas públicas específicas voltadas às mulheres idosas, que em muitos casos enfrentam situações de solidão, baixa renda e dificuldade de acesso a serviços.


100 anos 

Uma curiosidade revelada pelo levantamento é o número de centenários no município: 29 pessoas têm 100 anos ou mais, sendo 21 mulheres e apenas 8 homens — dado que reforça a tendência de maior longevidade feminina.

Para o chefe, esses dados reforçam a necessidade de ações integradas para garantir qualidade de vida aos idosos. "Trata-se de uma faixa etária de suma importância e um grande desafio aos gestores públicos, que precisam criar políticas e projetos que atendam o quantitativo de 34.647 pessoas idosas somente nos bairros de Passo Fundo", conclui Bilhar.


Distribuição por região

Região do Bairro Centro e Vila Vergueiro: 5.655 pessoas idosas

Região do Bairro Boqueirão: 3.898 pessoas idosas

Região do Bairro Vera Cruz: 3.550 pessoas idosas

Região do Bairro São Cristóvão: 2.298 pessoas idosas

Região do Bairro Petrópolis: 2.133 pessoas idosas

Região do Bairro Lucas Araújo: 2.028 pessoas idosas

Região do Bairro São Luiz Gonzaga: 1.540 pessoas idosas

Região do Bairro São José: 1.522 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Luiza: 1.437 pessoas idosas

Região do Bairro Planaltina: 1.324 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Fátima/Vila Annes: 1.216 pessoas idosas

Região do Bairro Integração: 1.107 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Rodrigues: 1.101 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Santa Maria: 984 pessoas idosas

Região do Bairro Santa Marta: 962 pessoas idosas

Região do Bairro José Alexandre Zachia: 878 pessoas idosas

Região do Bairro Nenê Graeff: 755 pessoas idosas

Região do Bairro Valinhos/Loteamento Industrial: 614 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Victor Issler: 603 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Cruzeiro: 452 pessoas idosas

Região do Bairro Roselândia: 339 pessoas idosas

Região do Bairro Vila Mattos: 271 pessoas idosas



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