Entre janeiro e agosto deste ano, a Organização de Procura de Órgãos (OPO 4), sediada no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo, registrou 76 notificações de morte encefálica, mas apenas 18 doações foram efetivadas. Em metade dos casos, as famílias não autorizaram a doação, o que impede que mais vidas sejam salvas.
Segundo o médico Cassiano Ughini Crusius, coordenador da OPO 4, o impacto de um único doador é incalculável. “Um único doador pode salvar até oito vidas. Se fizermos as contas, isso pode representar até 120 anos de vida salvos. Por isso, trabalhamos diariamente para sensibilizar as pessoas a manifestarem, em vida, o desejo de doar”, afirma.
Diagnóstico
O diagnóstico de morte encefálica – condição irreversível e necessária para a doação – segue protocolos rigorosos. O processo inclui a avaliação de reflexos neurológicos por dois médicos, em momentos diferentes, e a realização de um exame de imagem que confirma a ausência de atividade cerebral. “Quando o diagnóstico é concluído, não há possibilidade de reversão”, explica Crusius.
Falta de informação
A recusa familiar continua sendo o principal entrave. “Muitos pacientes têm condições clínicas de doar, mas a família recusa, muitas vezes por medo ou desinformação. Atualmente, as negativas chegam a 50%”, observa o médico. Ele reforça a importância do diálogo familiar: “A decisão precisa ser conversada em vida. Costumo dizer que a doação não faz bem apenas para quem recebe, mas também para os familiares que autorizam o gesto. Por isso, é essencial comunicar à família a sua vontade de ser doador”, destaca.
Setembro Verde reforça conscientização
Mais de 50 mil pessoas no Brasil aguardam por uma ligação que pode mudar suas vidas: a confirmação de que um doador compatível foi encontrado. Dependendo do órgão necessário, a espera na fila pode ultrapassar 18 meses. Para conscientizar a sociedade sobre a importância do tema, setembro foi escolhido como o mês da campanha Setembro Verde, que tem como marco o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no próximo sábado (27).
Centro Transplantador de Órgãos e Tecidos
O Hospital São Vicente de Paulo é certificado como Centro Transplantador de Órgãos e Tecidos, atuando em parceria com a OPO 4 e a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). A instituição realiza transplantes de rim, fígado, córnea e tecido musculoesquelético, oferecendo acompanhamento desde a avaliação inicial até o pós-transplante. Além da identificação de potenciais doadores, as equipes multiprofissionais dão suporte às famílias e gerenciam as listas de espera.



