A Black Friday, que neste ano será realizada no dia 28 de novembro, deve movimentar o comércio de Passo Fundo, ainda que o município não tenha uma campanha unificada de descontos. Como ocorre tradicionalmente, cada lojista define de forma independente suas promoções, horários diferenciados e ações para atrair consumidores. Mesmo sem uma coordenação central, o período promete forte impacto nas vendas na cidade, assim como no Brasil.
Em Passo Fundo, a expectativa é de movimento intenso, especialmente no comércio de rua e no setor de eletroeletrônicos. Segundo o presidente da CDL Passo Fundo, Evandro Pereira da Silveira, a descentralização das ações reflete o perfil do varejo local. “Passo Fundo não tem uma campanha única de Black Friday. Cada empresário organiza suas promoções conforme sua realidade, seu estoque e sua estratégia. Isso cria um ambiente diverso e competitivo, mas exige que o consumidor pesquise e compare”, afirma.
Projeção
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o evento movimentará R$ 5,4 bilhões ao longo de novembro, modelo que caracteriza a “Black Friday brasileira”, que já não se limita apenas ao dia oficial. O montante representa crescimento de 2,4% em relação ao ano passado.
Mesmo sem uma campanha conjunta das entidades empresariais, o comércio de Passo Fundo se organiza para um fluxo maior de clientes ao longo da semana da Black Friday. Para o empresário Valter Ceolin, a data segue como uma alavanca estratégica para o varejo local. “A Black Friday tem mostrado, ano após ano, que quando existe planejamento e sensibilidade para entender o comportamento do cliente, o resultado aparece de forma natural. Observamos consumidores mais confiantes, atentos às oportunidades e dispostos a realizar compras que realmente fazem sentido. Esse movimento fortalece nossa convicção de que o comércio local segue com energia, criatividade e capacidade de engajar o público com propostas autênticas”, afirma Ceolin.
Setores em alta e fatores econômicos
De acordo com a CNC, os segmentos que devem ter maior volume de vendas são hiper e supermercados (R$ 1,32 bilhão), eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,24 bilhão) e móveis e eletrodomésticos (R$ 1,15 bilhão). Moda, perfumaria e itens de higiene também apresentam alta procura.
Entre os fatores que explicam o crescimento estão a desvalorização do dólar, a perda de força da inflação e o aumento do emprego. A taxa de desemprego atingiu 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor índice desde 2002.
Mesmo assim, juros elevados, endividamento das famílias e a concorrência com sites estrangeiros podem limitar um avanço ainda maior das vendas.
Histórico e consolidação da data
Inspirada na tradicional liquidação pós-Ação de Graças dos Estados Unidos, a Black Friday chegou ao Brasil em 2010, inicialmente restrita ao e-commerce. As primeiras edições foram marcadas pela desconfiança, devido a práticas como inflar preços antes de aplicar descontos, a chamada “Black Fraude”. A atuação dos órgãos de defesa do consumidor e a pressão dos próprios compradores profissionalizaram o evento.
Atualmente, a Black Friday é a quinta data mais importante do comércio nacional, atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.


