Passo Fundo registra aumento nos nascimentos e estabilidade nos óbitos, na contramão do cenário nacional

Dados do IBGE revelam que município segue dinâmica própria, enquanto Brasil enfrenta queda recorde de natalidade e alta nas mortes

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Passo Fundo apresentou, em 2024, um comportamento demográfico diferente do registrado no restante do país. Enquanto o Brasil teve queda recorde no número de nascimentos e alta significativa nos óbitos, os dados municipais mostram crescimento na natalidade em 2024 e uma situação estável nas mortes ao longo do ano.

Segundo informações do IBGE/Sidra, o município registrou 2.512 nascimentos em 2024. Já em 2025, com base nos registros do Portal da Transparência do Registro Civil, 3.140 nascimentos foram contabilizados até o momento. Mantida a média atual, Passo Fundo deve encerrar o ano com cerca de 3.309 nascimentos, ultrapassando o total do ano anterior e indicando um incremento na natalidade local, em contraste com a tendência nacional de queda.

Em relação aos óbitos, Passo Fundo registrou 1.656 mortes em 2024, número considerado estável quando comparado à evolução da mortalidade no país. Para o município, que conta hoje com cerca de 217 mil habitantes, a relação entre nascimentos e óbitos mantém equilíbrio demográfico e aponta para crescimento vegetativo positivo.

Para o Coordenador Regional do IBGE em Passo Fundo, Jorge Benhur Bilhar, Passo Fundo apresenta uma dinâmica particular. O município preserva características de polo regional que influenciam o seu comportamento demográfico, em especial a concentração de serviços de saúde, que atrai gestantes de municípios vizinhos para atendimento e realização de partos.

“Os dados mostram que Passo Fundo mantém um perfil demográfico estável e ligeiramente diferente da média nacional. Enquanto o Brasil continua registrando quedas expressivas nos nascimentos, o município apresenta uma tendência de crescimento moderado, influenciada pela estrutura hospitalar regional e pelo fluxo de atendimentos de cidades próximas. Já em relação aos óbitos, o comportamento local tem se mantido constante, sem oscilações bruscas. Essa estabilidade é importante porque mostra que o município está em equilíbrio entre natalidade e mortalidade, o que contribui para um crescimento populacional sustentável”, declara o coordenador.

Estado acompanha tendência nacional

No panorama estadual, o Rio Grande do Sul segue mais alinhado à curva nacional de queda na natalidade. Dados do IBGE apontam que o Estado registra uma redução gradual no número de nascimentos nos últimos anos, influenciado pelo envelhecimento da população, pela diminuição da fecundidade e pelo aumento da idade média das mães no momento do parto.

O RS está entre os estados com maior proporção de mães com mais de 30 anos — 45,2% dos nascimentos — o que reflete um comportamento típico de regiões com maior urbanização e mais acesso à educação e planejamento familiar.

No caso dos óbitos, o Estado também mostra aumento proporcional nos últimos anos, acompanhando a elevação registrada no país, ainda que em ritmo menos intenso.

Brasil tem o menor número de nascimentos em 20 anos

No cenário nacional, os dados do IBGE indicam que o Brasil registrou aproximadamente 2,42 milhões de nascimentos em 2024, configurando o sexto ano consecutivo de queda e a redução mais expressiva das últimas duas décadas. O fenômeno está diretamente ligado à queda da fecundidade, ao envelhecimento da população e à diminuição do número de mulheres em idade reprodutiva.

Já os óbitos totalizaram quase 1,5 milhão em 2024, aumento de 4,6% em relação a 2023, a maior alta fora dos anos da pandemia, reforçando o avanço do envelhecimento populacional no país.

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