Resgates de animais silvestres crescem em áreas urbanas

Batalhão Ambiental e UPF atuam na proteção da fauna e orientam a população

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O aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas tem se tornado cada vez mais frequente em Passo Fundo e região. A convivência entre a cidade e o ambiente natural faz com que aves, mamíferos e répteis circulem por espaços urbanos, o que exige atenção redobrada da população e atuação especializada dos órgãos ambientais. Nesse contexto, o trabalho do 3º Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada Militar (3º BPAmb) é fundamental para garantir a proteção da fauna e a segurança das pessoas.

Segundo o comandante do 3º BPAmb, tenente-coronel PM Jarbas Luiz Bohrer, os animais silvestres são aqueles que vivem em vida livre e mantêm uma relação natural com o meio ambiente brasileiro. “Nós fazemos parte do meio ambiente e esses animais estão vivendo conosco. Encontrá-los nas áreas urbanas está ficando cada vez mais comum, justamente porque não existe uma separação entre o ambiente urbano, rural e a natureza”, explica.

O papel do Batalhão Ambiental é proteger esses animais quando estão em situação de risco, feridos ou em locais inadequados. “O 3º BPAmb atua no resgate e na proteção desses animais, realizando o encaminhamento para avaliação médico-veterinária e, sempre que possível, promovendo a reinserção ao habitat natural”, destaca o comandante.

Aves em cativeiro ilegal lideram ocorrências

Entre as ocorrências mais comuns atendidas pelo 3º BPAmb no município e na região está o resgate de aves silvestres mantidas em cativeiro ilegal. Somente ao longo de 2025, foram 579 aves resgatadas em ações de fiscalização ambiental. Espécies como caturritas, papagaios e passarinhos utilizados para canto ou ornamentação estão entre as mais apreendidas.

Nos últimos dias, o batalhão realizou diferentes atendimentos envolvendo animais silvestres. No dia 7 de janeiro, sete pássaros mantidos ilegalmente em cativeiro foram resgatados em Passo Fundo. Já no dia 12, um filhote de gato-do-mato foi encontrado por um morador em Mato Castelhano. No dia 14, um veado-catingueiro adulto foi localizado às margens da Transbrasiliana, exigindo intervenção especializada para garantir sua segurança.

Como acionar o resgate

Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em perigo, a orientação é acionar imediatamente o Batalhão Ambiental. O contato pode ser feito pelo WhatsApp do 3º BPAmb, no número (54) 3335-8350. Em locais sem acesso à internet, a população pode ligar para o COPOM pelo número (51) 98437-6920 ou pelo 190. O chamado é então repassado ao 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), que encaminha a demanda à Sala de Operações do Batalhão Ambiental.

Após o resgate, os policiais realizam a destinação adequada do animal, que pode incluir centros de triagem, clínicas veterinárias ou centros de reabilitação devidamente licenciados no Rio Grande do Sul.

Parceria com a UPF

Em Passo Fundo, o 3º BPAmb conta com a parceria da Universidade de Passo Fundo (UPF) e da Liga Selvagem para o acolhimento e tratamento dos animais resgatados. No Hospital Veterinário da UPF, há um setor específico para atendimento de animais silvestres, exóticos e não convencionais.

O médico veterinário Luis Henrique Bedendo, especialista em anestesiologia e colaborador do setor de animais silvestres do Hospital Veterinário da UPF, explica que o serviço é prestado há muitos anos como uma contribuição direta à comunidade. “O atendimento de animais de vida livre é gratuito. Já os pets não convencionais, como coelhos e porquinhos-da-índia, geram custos, pois são atendidos como animais particulares”, esclarece.

De acordo com Bedendo, os animais que chegam ao hospital passam por uma triagem inicial e podem ter três destinos principais: soltura imediata, tratamento clínico com posterior reinserção na natureza ou encaminhamento para destinação definida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA). “Sempre que conseguimos, a prioridade é devolver o animal ao meio ambiente. Quando isso não é possível, a SEMA define o encaminhamento, que pode ser para centros de conservação”, afirma.

Casos de animais feridos por atropelamentos ou outros traumas também são frequentes. “Realizamos exames, cirurgias e estabilização clínica. Quando o quadro é muito grave e irreversível, é realizada a eutanásia para interromper o sofrimento do animal”, relata o veterinário.

Orientação à população é essencial

O Batalhão Ambiental reforça que a população não deve tentar capturar, tocar ou alimentar animais silvestres. Mesmo quando aparentemente dóceis, eles podem reagir com mordidas, bicadas ou transmitir doenças. “Em situações em que o animal não está machucado e não oferece risco, a orientação é aguardar que ele saia espontaneamente do local. Medidas simples, como manter cães presos temporariamente, já ajudam”, orienta o tenente-coronel Bohrer.

Ele também alerta para o recolhimento indevido de filhotes, especialmente aves. “Muitas vezes a mãe está apenas buscando alimento. É preciso observar antes de qualquer intervenção”, ressalta.

Manter animais silvestres em casa é proibido. A prática é crime ambiental previsto em lei e só é permitida com autorização dos órgãos ambientais competentes. “Não se deve nunca manter em cativeiro ou cuidar de animais da fauna silvestre sem licença”, reforça o comandante.

A atuação integrada entre Batalhão Ambiental, universidade e órgãos ambientais demonstra que a proteção da fauna depende não apenas de ações especializadas, mas também da conscientização da comunidade, fundamental para garantir o equilíbrio entre o ambiente urbano e a natureza.

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