Passo Fundo abriga mais de 2 mil venezuelanos

Balcão do Migrante atua na regularização e inclusão social

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Os imigrantes têm conquistado espaço principalmente nos setores alimentício e de logística - FOTO: UPF/divulgação Os imigrantes têm conquistado espaço principalmente nos setores alimentício e de logística - FOTO: UPF/divulgação
Os imigrantes têm conquistado espaço principalmente nos setores alimentício e de logística - FOTO: UPF/divulgação
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Com a crescente presença de imigrantes na região, Passo Fundo se firma como um dos principais destinos no Rio Grande do Sul para quem chega em busca de melhores condições de vida. Segundo estimativas do Balcão do Migrante e Refugiado, projeto de extensão da Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF), a cidade e a região abrigam atualmente entre 2 mil e 3 mil venezuelanos — número que vem crescendo nos últimos anos.

O movimento migratório acompanha uma tendência estadual: em 2025, o Rio Grande do Sul atingiu recorde no número de estrangeiros contratados formalmente, com mais de 53 mil trabalhadores imigrantes com carteira assinada, muitos deles de origem venezuelana, segundo dados do Departamento de Trabalho e Ação Social do Estado.

Apoio jurídico e documental

O Balcão do Migrante e Refugiado atua em Passo Fundo e em Marau, em parceria com a prefeitura local, oferecendo orientação jurídica e suporte para regularização de documentos. A regularização migratória é condição essencial para acesso ao mercado de trabalho, à educação e aos serviços públicos.

Em entrevista à Rádio PF, a coordenadora do projeto, professora doutora Patrícia Noschang, destacou que, além da população venezuelana, há fluxo contínuo de cubanos, haitianos e pessoas de outras nacionalidades atendidas pelo Balcão. “Nosso objetivo é que o migrante se regularize e possa ter sua vida no Brasil com dignidade”, afirmou.

Desafios

Muitos venezuelanos que chegam à região percorrem longas distâncias, sobretudo por terra, desde a fronteira norte do Brasil — com travessias que podem durar dias e envolver rotas não oficiais. Esse deslocamento é especialmente penoso para crianças, idosos e pessoas com deficiência, conforme relato da coordenadora.

A principal porta de entrada continua sendo a região de Pacaraima, em Roraima, onde ainda opera a Operação Acolhida. A crise socioeconômica persistente em diversas regiões da Venezuela mantém esse fluxo migratório estável, sem expectativa de retorno em massa ao país de origem.

Mercado de trabalho

No mercado de trabalho, os imigrantes têm conquistado espaço principalmente nos setores alimentício e de logística. Em Passo Fundo, empresas de grande porte da cidade estão entre as maiores empregadoras, integrando estrangeiros em funções que vão da indústria ao atendimento ao público.

Segundo observações da coordenadora do Balcão, a presença crescente de venezuelanos em cargos como caixas de supermercados e de farmácias mostra que, apesar dos desafios com a língua e a adaptação cultural, o grupo vem se inserindo gradualmente na economia local.

Atividade contínua

O Balcão do Migrante permanece em atividade contínua, oferecendo suporte essencial a centenas de estrangeiros que buscam reconstruir suas vidas no norte do Rio Grande do Sul. Projetos como mutirões de regularização documental, realizados em parceria com a Polícia Federal, reforçam o papel da universidade e da sociedade civil no fortalecimento de uma rede de acolhida e inclusão.

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