Legado que transforma vidas pelo esporte

Escolinha criada em homenagem a Valentina Spesotto mantém viva a paixão pelo futebol, com inclusão e acolhimento social em Passo Fundo

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A iniciativa oferece aulas gratuitas de futsal e futebol society para meninos e meninas de 4 a 15 anos - Foto: DivulgaçãoA iniciativa oferece aulas gratuitas de futsal e futebol society para meninos e meninas de 4 a 15 anos - Foto: Divulgação
A iniciativa oferece aulas gratuitas de futsal e futebol society para meninos e meninas de 4 a 15 anos - Foto: Divulgação
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Três anos após a morte de Valentina Olanda Spesotto, a memória da menina apaixonada por futebol segue viva dentro das quadras, nos treinos e nos sonhos de centenas de crianças de Passo Fundo. O que começou como uma forma de eternizar a história da jovem transformou-se em um projeto social que hoje acolhe cerca de 230 alunos e já impactou mais de 400 crianças desde 2023.

Valentina faleceu em 22 de abril de 2023, aos 10 anos, em decorrência de um caso grave de dengue. Desde então, a família encontrou no esporte uma maneira de manter vivo o legado da menina que sonhava em ser jogadora profissional de futebol. Em agosto, a Escolinha de Futsal Valentina Olanda Spesotto completa três anos de idealização, consolidando-se como um espaço de inclusão, acolhimento e oportunidades.

A iniciativa oferece aulas gratuitas de futsal e futebol society para meninos e meninas de 4 a 15 anos. Mais do que ensinar fundamentos esportivos, a escolinha busca democratizar o acesso ao esporte, independentemente de condição financeira ou capacidade técnica. Os alunos recebem uniforme completo, alimentação após os treinos e participam de atividades extras, torneios e ações educativas.

Inclusão dentro e fora das quadras

A proposta da escolinha reflete muito da personalidade de Valentina. Desde pequena, ela costumava jogar futebol com meninos e se destacava pela habilidade e pelo entusiasmo dentro de campo. Hoje, esse espírito inclusivo segue sendo uma das marcas do projeto.

Coordenadora da Escola da Valentina, Jessana Perin iniciou no projeto como voluntária e acompanhou de perto o crescimento da iniciativa. Segundo ela, a ideia sempre foi criar um ambiente aberto e acolhedor para todas as crianças.

“A Escola da Valentina veio com um intuito diferente. A gente já quis colocar meninos e meninas jogando juntos, independente de classe social e independente de capacidade técnica”, afirma.

As atividades acontecem em diferentes pontos da cidade, como o Colégio Marista Conceição, a Igreja Luterana, o Santuário Nossa Senhora Aparecida e a Escola Fredolino Chimango, com turmas divididas por idade e modalidade.

Rede de apoio

Com o passar do tempo, o projeto foi além do esporte. Hoje, a escolinha mantém uma rede de apoio multidisciplinar formada por profissionais voluntários e parceiros das áreas da saúde, educação e assistência social.

Entre os projetos desenvolvidos estão atendimentos fisioterapêuticos, psicológicos, psiquiátricos, odontológicos, nutricionais, oftalmológicos e pedagógicos. A iniciativa também oferece aulas de inglês e reforço escolar para os participantes.

Os projetos complementares receberam nomes simbólicos, como Projeto Movimento, Projeto Nutrir, Projeto Olhar e Projeto Educar – todos voltados ao desenvolvimento integral das crianças atendidas.

Atualmente, a escolinha é mantida principalmente com recursos da própria família, além de doações, apoio de voluntários, patrocinadores e ações beneficentes realizadas ao longo do ano.

Reconhecimento ao projeto

Neste ano, a Associação Esportiva Recreativa Futsal Valentina Spesotto foi uma das contempladas pelo Funesporte 2026, programa da Prefeitura de Passo Fundo voltado ao incentivo esportivo no município. O projeto foi selecionado na categoria de projetos sociais esportivos.

O reconhecimento representa um novo passo para a continuidade das atividades e reforça o impacto social que a escolinha vem construindo desde a sua criação.

A menina da camisa 10

Filha de Carlos Alberto Spesotto e Juliana de Quadros, Valentina nasceu em Passo Fundo em 5 de outubro de 2012. Carismática e comunicativa, cresceu cercada pelo incentivo da família para praticar esportes e atividades artísticas.

Passou pelo balé, judô e jiu-jitsu, mas foi no futebol que encontrou sua grande paixão. Colorada de coração, também tinha carinho pelo Flamengo e sonhava em jogar no Internacional, no Barcelona e na Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

Fã de Cristiano Ronaldo, comemorava os gols imitando o jogador português e, mesmo assim, dificilmente largava a camisa 10. Dentro e fora das quadras, chamava atenção pela facilidade em fazer amizades e pela capacidade de inspirar outras crianças.

Hoje, o sorriso da menina segue presente em cada treino, em cada partida e em cada criança que encontra no esporte uma oportunidade de crescer. A escolinha criada em sua homenagem transformou a dor da perda em um legado coletivo – um espaço onde o futebol também se tornou acolhimento, inclusão e esperança.


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