Restrição na compra de combustível segue afetando postos em Passo Fundo

Apesar das dificuldades, setor afirma que não há previsão de desabastecimento total

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Todas as grandes distribuidoras operam atualmente com limites de fornecimento - Foto: Agência BrasilTodas as grandes distribuidoras operam atualmente com limites de fornecimento - Foto: Agência Brasil
Todas as grandes distribuidoras operam atualmente com limites de fornecimento - Foto: Agência Brasil
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Motoristas de Passo Fundo continuam enfrentando restrições para abastecer, especialmente no caso do diesel. Postos da cidade confirmam dificuldades na reposição e já adotaram medidas de racionamento para manter o atendimento à população.

Controle de estoques

Na rede Postos Sander, o diesel é o combustível mais afetado no momento. De acordo como o responsável pelo atendimento comercial, Ezequiel Marchioro, a venda deixou de ser livre e passou a ter limite de até 2 mil litros por cliente ao dia. Quando há falta em uma unidade, o abastecimento é equilibrado por meio do remanejamento de cargas entre os postos da própria rede. A dificuldade na compra junto às distribuidoras também contribui para o cenário, exigindo maior controle nas vendas e uma gestão rigorosa dos estoques.

Redução na oferta

Para contextualizar a situação no mercado, o diretor comercial e de estratégia da Rede de Postos Tradição, Mateus Brugnera, afirma que não há previsão de desabastecimento total, mas sim uma redução na oferta de combustíveis.

“Não vai haver uma ruptura total de produto. Existe um corte no volume em nível de mercado. As distribuidoras estão com cotas reduzidas para os postos e também para o agro. Não se tem produto à vontade; há uma restrição diária na quantidade disponível”, explica.

Segundo ele, todas as grandes distribuidoras operam atualmente com limites de fornecimento. “Seja Ipiranga, Shell, BR, Rodoil ou Charrua, todas trabalham com uma cota que é distribuída entre seus clientes. Quem tem contrato tem prioridade. Eventualmente, um posto pode ficar sem produto em um dia, mas no dia seguinte já recebe reposição”, completa.

Brugnera destaca que, apesar das dificuldades, a estrutura do setor impede um colapso total no abastecimento. “É muito pouco provável que uma cidade fique completamente desabastecida. Existem vários postos, e todos recebem uma cota diária. Não é produto à vontade, mas conseguimos manter o atendimento e os negócios funcionando”, afirma.

Ele também ressalta o caráter essencial da atividade. “O combustível é um serviço estratégico, um pilar fundamental da economia. Existe um esforço conjunto das distribuidoras e também do governo para manter a cadeia funcionando e evitar paralisações maiores no mercado”, pontua.

Aumento de preços

Outro reflexo direto da situação é a frequência dos reajustes nos preços. De acordo com o especialista, as altas estão ligadas à necessidade de as distribuidoras recorrerem ao mercado internacional para suprir a demanda.

“Os aumentos estão sendo frequentes e são repassados rapidamente. As distribuidoras estão com cotas reduzidas junto à Petrobras e precisam buscar produto importado para atender ao consumo. E esse produto é mais caro”, explica.

Segundo ele, no caso do diesel, o combustível importado pode custar mais de R$ 2,40 por litro acima do valor praticado pela Petrobras às distribuidoras. “Quanto mais produto importado entra, maior é o impacto no preço médio, e isso acaba sendo repassado aos postos e, consequentemente, ao consumidor final”, afirma.

Brugnera acrescenta que os leilões realizados pela Petrobras também influenciam os valores. “Em alguns casos, o produto que antes era comprado por cerca de R$ 2,00 passa a ser adquirido por até R$ 3,80 nesses leilões. Isso eleva o custo médio das distribuidoras e impacta diretamente no preço final”, destaca.

Demanda elevada no Estado 

Diante do cenário, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que a oferta de diesel para o interior do Rio Grande do Sul deve aumentar ao longo da semana. A entidade também reforçou que está intensificando o monitoramento do mercado nacional de gasolina e diesel para garantir o abastecimento.

Outro fator que pressiona a oferta é o período de pico da colheita de soja no Rio Grande do Sul, que aumenta significativamente a demanda por diesel no transporte. Além disso, o receio de desabastecimento tem levado motoristas a anteciparem o abastecimento, elevando ainda mais a procura e acelerando o consumo dos estoques disponíveis.

Cenário internacional

A situação atual está diretamente ligada ao contexto internacional, especialmente à escalada da guerra no Oriente Médio, que vive uma fase crítica com o confronto direto entre Irã e Israel. A tensão global aumentou após ameaças de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula grande parte do petróleo mundial. Com isso, o preço do barril disparou no mercado internacional, afetando toda a cadeia de combustíveis.

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