Passo Fundo registra segundo mês seguido de saldo negativo na geração de empregos

Município fechou maio com 206 vagas formais a menos, mas mantém saldo positivo no acumulado do ano graças ao desempenho da indústria.

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O cenário observado em Passo Fundo acompanha o desempenho estadual - FOTO: DIVULGAÇÃOO cenário observado em Passo Fundo acompanha o desempenho estadual - FOTO: DIVULGAÇÃO
O cenário observado em Passo Fundo acompanha o desempenho estadual - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Pelo segundo mês consecutivo, Passo Fundo encerrou o mês com mais demissões do que contratações no mercado formal de trabalho. Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), referentes a maio e divulgados ontem (30), apontam um saldo negativo de 206 vagas com carteira assinada, indicando uma desaceleração na geração de empregos no município.

O resultado sucede o desempenho também negativo registrado em abril, quando a cidade perdeu 658 postos formais. Apesar da sequência de dois meses de retração, o acumulado de 2026 ainda permanece positivo. Entre janeiro e maio, Passo Fundo registra saldo de 405 empregos formais, sustentado principalmente pela força da indústria.

Indústria evita resultado pior no acumulado

Enquanto os setores de serviços, comércio e agropecuária apresentam saldo negativo na soma dos cinco primeiros meses do ano, a indústria tem desempenhado papel decisivo na manutenção do resultado positivo do município. O setor industrial acumula a criação de 459 vagas em 2026, tornando-se o principal responsável pelo saldo positivo do mercado de trabalho local.

No recorte exclusivo de maio, entretanto, o setor de serviços foi o grande responsável pelo resultado negativo, encerrando o mês com o fechamento de 245 postos de trabalho. A indústria voltou a apresentar desempenho favorável e amenizou as perdas ao criar 84 novas vagas formais.

Os números revelam uma mudança no comportamento do mercado de trabalho local, que, nos primeiros meses do ano, havia apresentado desempenho positivo em praticamente todos os setores.

Mulheres lideram geração de empregos

Outro dado que chama atenção no levantamento do Novo Caged é a participação feminina no mercado de trabalho.

Em maio, o saldo negativo foi praticamente concentrado entre os trabalhadores do sexo masculino. Os homens registraram saldo negativo de 224 vagas, enquanto as mulheres encerraram o mês com saldo positivo de 18 empregos.

No acumulado do ano, a diferença também é significativa. Das 405 vagas criadas em Passo Fundo entre janeiro e maio, 264 foram ocupadas por mulheres, contra 141 destinadas aos homens. Os números indicam que as empresas vêm ampliando proporcionalmente as contratações de trabalhadoras ao longo de 2026.

RS também fecha maio no vermelho

O cenário observado em Passo Fundo acompanha o desempenho estadual. No Rio Grande do Sul, maio terminou com saldo negativo de 5.357 empregos formais. Segundo o Novo Caged, foram registradas 122.136 admissões e 127.793 desligamentos no estado durante o mês.

Diferentemente de outros períodos, todos os grandes setores da economia gaúcha encerraram maio com mais demissões do que contratações. A agropecuária foi a atividade que apresentou o pior desempenho, com fechamento de 3.288 vagas, seguida pelo comércio, que perdeu 1.426 postos de trabalho. Indústria, construção civil e serviços também registraram saldos negativos.

Geração de empregos desacelera no Brasil

Em nível nacional, o mercado formal também apresentou perda de ritmo. O Brasil criou 73 mil empregos com carteira assinada em maio, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Embora o resultado permaneça positivo, representa uma desaceleração expressiva em relação ao mesmo período do ano anterior, com redução de 52,3% no número de vagas geradas. No acumulado entre janeiro e maio, o país contabiliza 767,3 mil novos empregos formais.

Ao comentar o desempenho de maio, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu a redução no ritmo de geração de vagas aos efeitos da manutenção das taxas de juros em níveis elevados e também às incertezas provocadas pelo aumento de tarifas comerciais anunciado pelos Estados Unidos.

Embora o saldo nacional continue positivo, os números de maio evidenciam um mercado de trabalho em desaceleração, tendência observada tanto no Rio Grande do Sul quanto em Passo Fundo, que agora acumula dois meses consecutivos de retração nas contratações formais, apesar de manter resultado positivo no acumulado do ano.

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