Com baixas temperaturas, dobram os relatos de problemas elétricos em veículos

Principal defeito é na bateria, seguido pelo motor de arranque e pelo aterramento. Mas qual o motivo?

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Foto: Kleiton Vasconcellos/ONFoto: Kleiton Vasconcellos/ON
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A cena é comum: manhãs frias de inverno e carros que apresentam dificuldades para funcionar. Se, décadas atrás, a principal dificuldade era aquecer o motor quando abastecido com etanol, agora os problemas giram em torno do sistema elétrico, principalmente da bateria, do motor de arranque e do aterramento.

Com uma sequência de dias de temperaturas baixas, desde a semana retrasada aumentaram os pedidos de socorro de motoristas que ficaram a pé, sem conseguir ligar o carro. Conforme o mecânico Rafael Andrade, proprietário de uma oficina em Passo Fundo, esse tipo de ocorrência torna-se comum nesta época do ano. "Nós temos o dobro de atendimentos a clientes que ficam a pé no inverno, em comparação com o verão", diz.

A explicação para esse problema é química. As baixas temperaturas reduzem a velocidade das reações químicas internas da bateria, diminuindo sua capacidade de fornecer a corrente necessária para a partida (o chamado CCA – Cold Cranking Amps). Além disso, Andrade salienta que "no frio, o óleo do motor torna-se mais viscoso, o que exige um esforço maior do motor de arranque para girar o motor, demandando, consequentemente, mais energia da bateria".

Os problemas, contudo, podem ir além da bateria. "Os componentes que mais sofrem são a bateria, o motor de partida, o alternador e o sistema de aterramento da carroceria. As falhas no sistema de carga atingem também o sistema de injeção do carro, que pode começar a alternar automaticamente o combustível por falhas no software. Tudo isso ocorre porque há queda na corrente elétrica quando a bateria não consegue fornecer energia suficiente", completa Rafael Andrade.

O que fazer

E, uma vez sem carga elétrica, como fazer o carro funcionar? Se antigamente empurrar o veículo era a solução — o popular "tranco" —, hoje a complexidade da engenharia dos automóveis não recomenda essa prática, principalmente em veículos com câmbio automático.

"Quando isso acontece, é necessário fazer uma verificação. Antes, porém, de forma paliativa, deve-se fazer uma ponte, utilizando cabos ligados à bateria de outro carro. Depois, o veículo deve ser encaminhado a uma oficina para verificar o estado da bateria e dos demais componentes", recomenda o mecânico.

Na oficina, um equipamento chamado scanner Rasther realiza o diagnóstico completo do veículo, apontando se há necessidade de substituir alguma peça.

Tem como evitar?

A resposta é sim. Entre as medidas apontadas por Rafael Andrade está a manutenção preventiva, com testes periódicos de carga e da condição da bateria, realizados com equipamentos adequados, como multímetros ou scanners.

Além disso, recomenda-se manter os terminais (polos) da bateria limpos e livres de oxidação para garantir uma boa conexão elétrica, bem como evitar o uso prolongado de acessórios elétricos, como sistema de som, faróis e ar-condicionado, com o motor desligado. Se o carro permanecer sem uso por longos períodos, também é recomendável ligá-lo periodicamente para preservar a carga da bateria.

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