Chuva em excesso preocupa produtores e ameaça culturas de inverno

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Com quase metade da média histórica de chuva prevista para julho registrada apenas na primeira semana do mês, o excesso de precipitações dificulta o desenvolvimento inicial do trigo, da canola e da aveia, provoca erosão e aumenta a apreensão dos agricultores.

O excesso de chuva registrado nos primeiros dias de julho já acende um sinal de alerta para os produtores rurais do Rio Grande do Sul. Em apenas uma semana, o volume acumulado de precipitações alcançou cerca de 45% da média histórica prevista para todo o mês, criando um cenário desfavorável ao desenvolvimento das principais culturas de inverno, especialmente trigo, canola e aveia branca.

Embora ainda seja cedo para calcular possíveis perdas de produtividade, técnicos da Emater avaliam que as condições atuais estão longe do ideal para o estabelecimento das lavouras. O problema não é apenas a quantidade de água, mas a intensidade com que ela caiu em um curto espaço de tempo, provocando encharcamentodo solo, erosão e comprometendo a germinação em algumas áreas.

Segundo o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, a maior parte das lavouras já foi implantada. A semeadura do trigo está praticamente concluída, restando apenas pequenas áreas na região de Lagoa Vermelha. Enquanto parte das lavouras está em fase de germinação, a maioria já iniciou o desenvolvimento vegetativo. A canola, por possuir um ciclo mais curto, apresenta desenvolvimento mais avançado, e a aveia branca também se encontra na fase inicial de crescimento.

Ambiente desfavorável ao desenvolvimento

Apesar de as baixas temperaturas serem importantes para as culturas de inverno, Oriberto destaca que o excesso de chuvas registrado nos últimos dias criou um ambiente inadequado ao desenvolvimento das plantas.

Conforme o gerente da Emater, as precipitações intensas prejudicam tanto as áreas em germinação quanto aquelas que já iniciaram o crescimento vegetativo. Em algumas regiões, os volumes ultrapassaram 200 milímetros em poucos dias, saturando o solo e provocando erosão.

"O frio é importante nesta época do ano, mas o excesso de chuva não é o ambiente ideal para essas culturas. Além do encharcamento, houve escorrimento superficial da água, provocando erosão e até o arraste de sementes, comprometendo a instalação das lavouras", explica. 

Segundo ele, ainda não há condições técnicas para medir o impacto na produtividade, mas é consenso que as condições climáticas recentes não favoreceram o desenvolvimento inicial das culturas.

Replantio está praticamente descartado

Mesmo com a possibilidade de falhas na germinação em algumas áreas, o replantio praticamente não é considerado pelos produtores.

Oriberto explica que, além do elevado custo de produção, uma nova semeadura atrasaria o calendário agrícola e poderia comprometer a implantação da soja na próxima safra. Em muitos casos, um eventual replantio também ocorreria fora do período recomendado pelo zoneamento agrícola.

A expectativa, portanto, é de que as lavouras consigam se recuperar naturalmente caso as condições climáticas melhorem nas próximas semanas.

"O solo encharcado não favorece o desenvolvimento do trigo nem da canola. Agora é preciso que haja chuva, mas de forma equilibrada, intercalada com dias de sol e frio, para que o solo possa drenar o excesso de água e as plantas consigam se desenvolver", afirma.

Erosão agrava situação nas lavouras

Outro fator que preocupa os técnicos é a erosão provocada pelas chuvas intensas. Como as culturas ainda estão em fase inicial, boa parte do solo permanece descoberta. Sem cobertura vegetal suficiente, a água escoa com maior facilidade, carregando terra fértil, matéria orgânica e até sementes recém-plantadas.

Segundo Oriberto, caso as lavouras estivessem em estágios mais avançados, como afilhamento ou elongação, a própria vegetação ajudaria a proteger o solo contra o impacto da chuva. Neste momento, porém, essa proteção ainda não existe.

"O solo tem uma capacidade limitada de absorver água. Quando ele satura, começa o escorrimento superficial, que provoca erosão hídrica e gera prejuízos importantes para a lavoura", ressalta.

Problemas também atingem a infraestrutura

Os impactos das chuvas não se restringem às áreas agrícolas. Diversos municípios do Norte e do Noroeste do Estado registraram danos em estradas, pontes e propriedades rurais.

Segundo o gerente regional da Emater, localidades como São José do Ouro, Sananduva e municípios vizinhos enfrentaram situações ainda mais críticas, com volumes de chuva superiores aos registrados em Passo Fundo e ocorrência de ventos fortes, ampliando os prejuízos à infraestrutura pública e privada.

A dificuldade de acesso às propriedades também interfere nas atividades agrícolas e dificulta o acompanhamento das lavouras neste momento decisivo do ciclo das culturas de inverno.

Preocupação segue para os próximos meses

Embora o cenário atual já gere apreensão entre os produtores, a maior preocupação está voltada para a primavera, período em que o trigo entrará nas fases de floração e enchimento de grãos.

Nessa etapa, o excesso de chuva pode comprometer diretamente a qualidade dos grãos e reduzir o potencial produtivo da cultura. Por isso, a expectativa dos agricultores e dos técnicos é de que a previsão de novas precipitações para os próximos dias não se confirme com a mesma intensidade observada na última semana.

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