É tradição, não tem jeito. A cada ano de Copa, o hábito de trocar figurinhas e preencher o álbum se renova, atravessa gerações e movimenta uma rede de contatos. Muitas dessas pessoas não se conhecem, mas passam a dividir a atenção com o objetivo de completar o livreto.
A febre se repete em 2026. E, há uma semana, vem chamando a atenção. Pais, mães, crianças, casais, tios, tias, avós e netos. Em casa, na escola, na vizinhança e até no trabalho tem gente conversando sobre, trocando, comprando e vendendo. Afinal de contas, o álbum da Copa do Mundo de 2026 é o maior da história, com 980 cromos – e todo esforço é válido.
O motivo é simples: como agora serão 48 seleções, em vez das 32 das edições anteriores, são mais jogadores, escudos e escalações representados no álbum atual. Vale destacar, ainda, que são 912 figurinhas "normais" e 68 "brilhantes". O álbum inclui ainda mais 14 figurinhas obtidas através do rótulo da Coca-Cola nas garrafas de 600ml.
Tradição de pai para filho
O ato de colar figurinhas no álbum da Copa faz parte da vida de Leonardo Subtil há mais de três décadas. Aos 8 anos, ele iniciou com o álbum do Campeonato Italiano de 1993. A partir do ano seguinte, manteve o hábito em todas as Copas. "Para o álbum da Copa do Mundo, é sempre a mesma empolgação. Em 2022 e agora também temos as variações capa dura, dourada e outras, que passam a ser alvos também", conta.
Desde 2022, aliás, Leonardo conta com um auxiliar: Davi, seu filho, que vai para o segundo álbum de Copa tendo o pai como companheiro. "Enquanto não acontecem os eventos de troca, estou fazendo as trocas na escola", comenta Davi. Agora, cada um ajuda o outro a completar seu álbum.
De acordo com Leonardo, o álbum traz a nostalgia da infância e aproxima as gerações. "Como as crianças estão com muitas telas, as figurinhas são formas de manter as relações em casa. As crianças aprendem a negociar, trocar e ficam felizes com novas figurinhas. É um hobby que nos aproxima muito", enfatiza.
Além das figurinhas, pai e filho também dão atenção aos cards – material de alta qualidade, autografado por jogadores e que pode ser a nova moda em breve.
Pontos de venda aumentaram
Se em anos anteriores a aquisição tanto do álbum quanto das figurinhas era concentrada em bancas de revista ou, eventualmente, gôndolas de supermercados, o padrão agora é mais amplo. Entraram em cena lojas de brinquedos, de departamentos, livrarias e até farmácias. Em todos os casos, a busca vem crescendo dia após dia, com necessária reposição.
Representante da Panini
As vendas estão em alta. Asdroaldo dos Santos Sander atua como representante comercial da Panini há 20 anos e faz a distribuição de figurinhas em Passo Fundo. Sander informa que nunca se deixou de vender em alto volume o produto – inclusive houve uma grande explosão nas vendas em 2022, por ter a Copa ocorrido no fim do ano e o álbum ter sido até item de Dia da Criança. "Agora a venda está altíssima. Estamos trabalhando já com reposição. Existe um alto giro, e a venda segue por alguns meses, até fechar os álbuns", diz.
O vendedor crê que as figurinhas movimentam tanto o mercado "porque a Copa do Mundo é uma paixão mundial, o futebol é universal e todos adoram. Notamos até a grande interação entre pais e filhos, colegas, todos".
Além da aquisição presencial, há a possibilidade de comprar figurinhas pela internet. Porém, com o custo total aproximando-se dos R$ 1 mil, colecionadores alertam para a venda de figurinhas falsas, em um mercado paralelo que age no digital e está de olho nos ganhos da editora oficial, a Panini.
Trocas
Quando se abrem os envelopes, em algum momento aparecerão figurinhas que já estão no álbum – as famosas repetidas. O drama logo é substituído pela paciência, pois o cromo repetido poderá ser trocado com algum outro colecionador. Dessa forma, o valor total para completar as 980 figurinhas cai consideravelmente.
A troca ganha alternativas importantes em 2026. São tradicionais os encontros em locais como lojas especializadas ou shoppings centers, com grande movimentação – em Passo Fundo, ocorrerão aos fins de semana, com datas a agendar. Além disso, colecionadores usam grupos de WhatsApp, como o "Figurinhas Copa 2026 PF", para trocar cromos.
Investimentos
Para conseguir completar, o início passa pela compra dos pacotinhos. Ao custo de R$ 7, cada envelope traz sete figurinhas – o custo é de R$ 1 real por cromo. Além disso, é necessário adquirir o álbum, que tem o valor de R$ 24,90 no modelo brochura ou R$ 74,90 o capa dura. Como novidade e buscado por colecionadores, o álbum capa dura prata ou dourada sai por R$ 79,90.
Em uma conta rápida, completar o álbum da Copa de 2026 custa R$ 1.004,90. Entretanto, as figurinhas repetidas obrigam a compra de mais cromos, sempre em busca das faltantes. Ou seja, a conta final pode ser muito maior.
Aplicativos
Além da versão física, o álbum também está disponível em formato digital, por meio de um aplicativo, o FIFA Panini. Nele, o usuário pode colecionar figurinhas, fazer trocas com outros participantes e montar equipes virtuais. A ideia busca expandir a tradição dentro dos avanços da tecnologia.
Mesmo para quem segue colecionando a versão física do álbum, a internet ajuda a organizar os cromos. Em aplicativos como o Figuritas, o colecionador vai preenchendo os espaços dos cromos colados no álbum. Assim, acaba substituindo a antiga lista que era feita em papel e caneta. Os aplicativos apontam, ainda, a porcentagem do álbum completado, quantas figurinhas faltam, quantas já foram coladas e quantas estão repetidas. E, por meio de um QR Code, é possível disponibilizar as estatísticas, bem como quais são as repetidas, para outros colecionadores.
Pontos de venda em Passo Fundo
- Farmácias São João
- Comercial Zaffari
- Bourbon Hipermercado
- Atacado Migliorini
- Lojas Cátia
- Passo Fundo Shopping
- Bella Città Shopping
- Loja Clip
- Estão previstos espaços específicos para trocas nos dois shoppings de Passo Fundo.



