Aos 16 anos, o passo-fundense Heitor Dall’Agnol Farias vive a temporada mais intensa – e promissora – de sua carreira no automobilismo. Líder isolado da Fórmula 4 Brasil, com 72 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o jovem piloto se aproxima das etapas finais do campeonato com uma maturidade rara para a idade. “Eu consegui evoluir bastante. Foi um aprendizado imenso e acredito que ainda posso evoluir mais nessas duas últimas etapas”, afirma.
Nascido em Passo Fundo e atualmente morando em São Paulo, onde concilia os treinos com o Ensino Médio, Heitor soma 197 pontos, segundo a tabela divulgada pela CBA. Atrás dele está Pedro Alves Lima, com 125. A F4 é uma categoria de base fundamental para quem deixa o kart rumo às fórmulas internacionais.
As últimas corridas do campeonato acontecem neste final de semana, dia 13 e 14 de dezembro, no Autódromo de Interlagos, onde Heitor estreou na categoria. “Não teria como não dizer que foi uma emoção muito grande correr lá. É uma pista icônica, com muita história”, lembra.
Uma temporada de adaptação
Este é o primeiro ano de Heitor na Fórmula 4 Brasil, após uma trajetória sólida no kart, onde conquistou títulos municipais, estaduais, nacionais e chegou ao 3º lugar na Copa do Mundo de Kart OK N, na Inglaterra, em 2023. No currículo, somam-se ainda duas Copas do Brasil e um Sul-Americano de Kart.
A transição, porém, exigiu ajustes importantes. “O meu maior desafio foi a adaptação. Saí do kart direto para a Fórmula 4, então a noção de espaço, o tamanho da pista e principalmente as freadas foram uma grande mudança”, explica. Ele destaca que nos karts que competia existia apenas freio traseiro, enquanto nos carros de F4 é necessário preservar pneus e evitar travamentos.
Rotina de atleta
Se dentro da pista a evolução é visível, fora dela o comprometimento é ainda maior. “Às vezes as pessoas acham que o piloto só acelera, mas não é só isso. A gente treina muito fora da pista e isso faz total diferença”, diz.
Heitor cumpre uma rotina que inclui treinos físicos cinco vezes por semana, além de atividades psicofísicas e cerca de quatro horas diárias de simulador. “O treino físico é essencial. Se eu fico sem treinar, sei que vou estar um nível abaixo do que eu poderia”, enfatiza. Entre os exercícios, estão fortalecimento de trapézio e antebraço – regiões fundamentais para suportar as exigências dos carros de fórmula.
Confiança, resultados e próximos passos
A liderança folgada no campeonato reflete não apenas evolução técnica, mas segurança. “A confiança veio do kart e também dos resultados. Depois de ganhar a terceira corrida na primeira etapa, isso me deu ainda mais confiança”, conta.
O piloto também celebra o reconhecimento conquistado na temporada. “Receber o Capacete de Ouro foi um sentimento muito bacana. É um prêmio que eu almejava desde pequeno. Fiquei muito feliz, ainda mais ao lado de nomes como Felipe Fraga, Giaffone, Bortoleto e os Piquet”, diz.
De Interlagos para o mundo
Com o título bem encaminhado, Heitor já pensa nos próximos passos. Em 2025, realizou cinco testes na Europa e deve competir na Eurocup-3 pela equipe Palou Motorsport, de Barcelona, a partir de 2026. “A gente está trabalhando muito para representar o Brasil lá fora. Temos um leque amplo de opções e espero que seja um caminho longo, que eu possa acelerar muito ainda”, projeta.
Ao definir o ano, ele resume: “2025 foi aprendizado e evolução, dentro e fora da pista".



