Falta pouco para o início da Copa do Mundo de 2026 e, consequentemente, para a estreia da Seleção Brasileira no torneio. Maior campeã mundial, com cinco títulos conquistados em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, a equipe carrega em sua camisa um forte símbolo de identidade nacional. E a torcida, que até pouco tempo demonstrava certa timidez, agora corre para vestir as mesmas cores dos jogadores.
A procura pela camisa da Seleção Brasileira aumentou significativamente nos últimos dias. No site oficial da Nike, fornecedora de material esportivo da equipe, a versão jogador é comercializada por R$ 749, enquanto a versão torcedor custa R$ 449. Os valores são os mesmos para os modelos amarelo (titular) e azul (reserva), tanto masculino quanto feminino. Há ainda a versão fã, mais simples, vendida por R$ 237.
Comércio local
No entanto, alternativas que evitam a espera pelo frete e oferecem preços mais acessíveis têm atraído consumidores para as lojas físicas. Segundo Rafaela Mendes, sócia-proprietária de uma loja especializada em camisas de futebol localizada na Avenida Brasil, em Passo Fundo, o movimento cresceu expressivamente nos últimos dias.
— Estamos registrando um aumento de 100% nas vendas de camisas da Seleção Brasileira — afirma.
Somente na última semana, foram comercializadas cerca de 80 peças do Brasil no estabelecimento. A alta demanda tem exigido reposições frequentes de estoque e, em alguns casos, provocado a falta temporária de determinados modelos.
— Estamos repondo o estoque semanalmente, em uma logística que começou ainda na segunda quinzena de maio. Hoje, por exemplo, aguardamos a chegada das camisas infantis, que já se esgotaram na loja — destaca.
Em situações emergenciais, a reposição é realizada a cada dois dias. Com movimento acima da média, a loja decidiu abrir durante o feriado de Corpus Christi e registrou um volume de vendas considerado muito positivo.
Preferência pela amarelinha
Diante dos preços praticados pela fornecedora oficial, a loja optou por trabalhar com valores mais competitivos: entre R$ 260 e R$ 300 para os modelos torcedor e jogador, respectivamente. E a preferência dos consumidores é clara.
— A proporção é de sete camisas amarelas para cada três azuis. Temos clientes de todas as idades, das crianças aos idosos — relata a empresária.
De acordo com Rafaela Mendes, até o fim de maio a maior procura era pelas camisas retrô, especialmente as inspiradas nas Copas de 1994 e 1998, carregadas de apelo nostálgico. Também havia demanda por uniformes de seleções como Portugal, Argentina, Espanha e Alemanha.
— De dez dias para cá, as pessoas passaram a procurar muito as camisas da coleção 2026, em todos os tamanhos. A venda das retrôs caiu bastante e, além do Brasil, a única seleção que ainda tem alguma procura é Portugal, mas em volume reduzido — explica.
As camisas das demais seleções custam entre R$ 200 e R$ 230. Mesmo assim, a preferência dos consumidores continua sendo o modelo atual da Seleção Brasileira.
Camisa jogador x torcedor: qual a diferença?
Tanto no site da fornecedora quanto nas lojas físicas são comercializadas as versões jogador e torcedor, com preços distintos. A diferença está nos detalhes de fabricação.
A versão jogador utiliza materiais mais leves e tecnológicos, conta com maior ventilação, acabamento superior e elementos aplicados de forma diferenciada, como o escudo. Já a versão torcedor mantém a identidade visual da peça utilizada pelos atletas, mas com materiais mais simples e custo reduzido.
Item que nunca foi barato
Historicamente, adquirir uma camisa da Seleção Brasileira em ano de Copa do Mundo nunca foi barato. Curiosamente, porém, o peso desse gasto em relação ao salário mínimo vem diminuindo ao longo das últimas décadas.
Em 1998, a camisa custava R$ 89, enquanto o salário mínimo era de R$ 130 — equivalente a 68% da remuneração. Em 2002, o uniforme passou para R$ 119, frente a um salário mínimo de R$ 200 (59%). Em 2006, a peça era vendida por R$ 179, com salário mínimo de R$ 350 (51%). Já em 2010, o valor da camisa era de R$ 199, enquanto o salário mínimo chegava a R$ 510 (40%). Em 2014, o uniforme custava R$ 229 e o salário mínimo era de R$ 724 (31%). Na Copa de 2018, a camisa foi lançada por R$ 249, diante de um salário mínimo de R$ 954 (26%). Em 2022, o modelo oficial custava R$ 349, enquanto o salário mínimo era de R$ 1.212 (28%). Atualmente, os R$ 449 cobrados pela Nike representam aproximadamente 27% do salário mínimo de 2026, fixado em R$ 1.621.



