O mês de dezembro começa sob o efeito de um La Niña de intensidade fraca a moderada, que já influencia o clima no Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio UPF, o analista do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato, explicou que a principal característica do mês será a chuva abaixo da média e bastante irregular.
Segundo ele, os prognósticos do Inmet e de outros institutos apontam para “chuvas de normal a abaixo da média durante praticamente todo o mês”, com episódios rápidos e localizados. “Serão pancadas associadas ao calor. Vai chover num canto e no lado não vai chover”, afirmou.
Para dezembro, a expectativa é de cerca de 162 milímetros em Passo Fundo, mas o volume não deve se confirmar. A projeção é de que o mês registre “cerca de 50% a 60% do esperado”.
Ano termina com déficit hídrico
Pasinato também apresentou um panorama da chuva acumulada em Passo Fundo em 2025. Até novembro, foram registrados 1.626 milímetros, o que representa 84% da média anual de 1.931 milímetros. Mesmo com dezembro pela frente, o acumulado deve seguir abaixo do esperado.
“Provavelmente não vamos atingir os 1.931 milímetros. Já tivemos sete meses abaixo da média neste ano, e não há condição para recuperar esse volume agora”, explicou.
Além da chuva escassa, o mês será mais quente, com temperaturas entre a média e acima dela. “Vamos ter um dezembro mais quente, com alguns períodos de calor mais intenso. Nada insuportável, mas com máximas acima de 30°C, 32°C”, destacou o analista.
A segunda quinzena deve concentrar os dias mais quentes. Pasinato avalia que o período próximo ao Natal tende a registrar temperaturas elevadas, típicas de verão. “Provavelmente teremos um Natal com temperaturas mais altas e chuva rápida associada ao calor”, disse.
La Niña
O fenômeno La Niña deve atingir seu auge justamente agora em dezembro. De acordo com Pasinato, trata-se de um evento mais curto, mas com impacto direto sobre o início do verão.
“O ápice do La Niña ocorre agora em dezembro. A influência mais significativa será agora e no começo de janeiro”, explicou. A transição para a neutralidade está prevista para o trimestre janeiro-fevereiro-março, o que traz alívio ao produtor rural. “É uma boa notícia porque reduz o risco de seca mais forte em janeiro, fevereiro e março”, afirmou.
Próximos dias
Para o restante desta semana, o cenário segue de tempo firme. A próxima frente fria deve chegar apenas entre os dias 9 e 10 de dezembro. Até lá, predominam sol, tempo seco e máximas que voltam a se aproximar dos 33°C. “O que ocorrer de chuva serão pancadas típicas de verão, rápidas e isoladas”, concluiu Pasinato.


