OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

A abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas é sempre um momento oportuno para a análise dos discursos das principais lideranças mundiais. Esta semana foi marcada pela 75º Assembleia, que devido ao Covid-19, foi a primeira a ocorrer em modalidade a distância. Recai ao Brasil, por tradição, proferir o discurso de abertura dos encontros. A manifestação do Presidente Jair Bolsonaro traz uma série de elementos da geopolítica internacional, dos quais muito já tratamos aqui em nossa coluna. Podemos dividir o discurso em cinco eixos principais: 1) tecnologia e o 5G; 2) Agricultura e Amazônia; 3) OCDE; 4) paz e convenções; e 5) comércio internacional. Aqui não iremos adentrar nos assuntos de política doméstica e nem nos contornos ideológicos.

Tecnologia e o 5G  

A coluna já trouxe aos leitores de Passo Fundo a divisão atual do mundo em praticamente dois ecossistemas tecnológicos, o americano e o chinês. Enquanto o certame das frequências do 5G não ocorre, o lobby dos EUA e da China, cada vez mais se intensifica. No discurso, Bolsonaro alerta que o Brasil irá negociar somente com aquele país que respeitar a soberania brasileira e, principalmente, a proteção de dados dos brasileiros. Deixando clara a sua inclinação.

Agricultura e Amazônia 

Na seara da agricultura, Bolsonaro reafirmou o papel relevante do Brasil no contexto da segurança alimentar global, uma vez que muitos países dependem de nossos alimentos. No aspecto da Amazônia, talvez tenha faltado maior assertividade em relação a sua soberania. A condicionante apresentada foi a de que, sendo o Brasil um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, a culpabilidade pelas queimadas seria estratagema para esconder o forte lobby dos produtores rurais europeus, por exemplo.

OCDE 

O pleito para a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) é uma das pedras angulares da atual política externa. O discurso reitera esse pleito, observando que o Brasil estaria preenchendo os requisitos para o ingresso na instituição. Ocorre que a OCDE, desde o início da pandemia, recomendou aos seus membros políticas públicas de distanciamento e testagem massiva, elementos que parecem ter escapado no controle da crise pelo governo.

Paz e convenções 

O discurso recorrentemente salientou a questão da paz. Ao indicar claramente a responsabilização da Venezuela pelo vazamento de óleo, que em 2019 chegou à costa do nordeste brasileiro, Bolsonaro surpreendentemente evocou a Carta das Nações Unidas e a Convenção para o Direito do Mar. Causou certa estranheza, também, a defesa da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), cuja origem remonta a década de 1980 e também foi uma das bandeiras dos governos que defendiam uma política externa Sul-Sul, criticada pelo atual governo.

Comércio Internacional 

No aspecto do comércio internacional, faltou pragmatismo. A menção ao acordo Mercosul-União Europeia foi breve. Faltou um posicionamento mais claro da estratégia comercial brasileira, no mundo. 

  

Gostou? Compartilhe