OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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As encíclicas papais sempre foram objeto de atenção na área da política internacional. Não há qualquer razão para se desprezar as cartas dos Pontífices e a suas conexões com os temas prementes das relações internacionais, visto que, em sua maioria, trazem reflexões importantes sobre a nossa conjuntura. Não poderia ser diferente com a mais recente encíclica do Papa Francisco, divulgada nesta semana e intitulada como “Fratelli Tutti” ou “todos irmãos”, sobre a fraternidade e a amizade social. A encíclica chega em momento conturbado da política mundial, principalmente pelos efeitos da pandemia. Em um sentido geral, a carta busca resgatar a ideia de uma fraternidade universal, onde as fronteiras físicas não teriam valor e também a ideia de uma política de viés aristotélica, cujo objetivo seria a felicidade, pela promoção do bem comum. Para o Pontífice, a verdadeira paz só pode prosperar nessas condições. Destarte, vamos trazer alguns pontos em que a carta trata diretamente de temas da política mundial:

 

“As sombras dum mundo fechado” 

Esse é o título do primeiro capítulo da encíclica, onde se lançam algumas tendências que impedem a busca de uma fraternidade universal. O momento é do surgimento de regimes fechados em si, que não dialogam com o bem comum. Ao citar uma encíclica de Bento XVI (Caritas in veritate), lembra: “a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos”. A lembrança não poderia ser mais benfazeja, talvez essa seja uma das maiores dificuldades da política mundial de hoje.

Uma ética das relações internacionais 

Não é a primeira vez que o termo surge nos textos do Papa Francisco, uma vez que a discussão já foi travada em sua encíclica (Laudato si). Ao salientar que a justiça não serve apenas para respeitar os direitos individuais, mas os direitos dos povos, o Pontífice retoma o aspecto central de um direito internacional das gentes (ou povos), como o mecanismo mais apropriado nas relações humanas internacionais. O Papa ressalta que, “com efeito, a paz real e duradoura é possível só a partir de uma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço de um futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira”. A paz a que se refere o Papa não estaria no campo das ideias, mas da proatividade em buscar soluções e, principalmente, a reconciliação dos povos. O perdão, por seu turno, não pode ser impunidade e nem esquecimento. As nações devem buscar mecanismos de reparação de danos em conflitos internacionais, mas não a vingança, uma vez que ela “nunca sacia verdadeiramente a insatisfação das vítimas”. Assevera ainda o Papa que, “a justiça procura-se de modo adequado só por amor à própria justiça, por respeito das vítimas, para evitar novos crimes e visando preservar o bem comum, não como a suposta descarga do próprio rancor. O perdão é precisamente o que permite buscar a justiça sem cair no círculo vicioso da vingança nem na injustiça do esquecimento”.

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