OPINIÃO

É hora da democracia sem ódio

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O resultado das eleições reflete o modelo democrático adotado pela Constituição Federal de 1988. É a opção regrada pelos brasileiros e mantida após luta popular pelas diretas. Por isso, o que se decidiu nas urnas é afirmação sagrada da maioria, tornada opção para toda a cidadania. É a questão de critério na organização do estado, no caso do pleito eleitoral, a escolha de políticas públicas propostas durante o período de disputa. Essa legitimidade conferida aos eleitos, com maior ou menor expressão no número de votos significa apenas a estabilidade aos titulares do poder, embora não se reduza a verdade absoluta. O ponto nevrálgico do processo decisório eleitoral é superar organizadamente a fase de responsabilidade no poder, que se estabelece para o período de mandato. Os espaços de debate sobre prioridades seguem a extensão através das bancadas do legislativo e instituições populares. Definida a eleição é preciso prestar atenção ao interesse público que não reserva espaço para a pregação de ódio dos descontentes. Neste ponto é que queremos chegar. O exercício democrático permite uso de vários espaços para o debate sobre posturas de gestão. Que sejam sempre dinâmicos e transparentes, considerando que a fiscalização dos atos de autoridades constituídas pelo povo é saudável costume que deve aprimorar-se. Ouvimos mensagens sóbrias de candidatos que pugnaram com veemência pelas suas propostas, mas perderam. A atitude de rivais reconhecendo o resultado das urnas e cumprimentando os vencedores é resistência ao negacionismo mesquinho que se alastra oferecendo perigo à democracia. Os núcleos de ódio que desconstroem as relações de cidadania devem parar. A situação nacional, com efeitos da pandemia, nos erros e acertos, exige imediata mudança de posturas. A resposta em movimentos de resgate dos empregos, situação financeira doméstica e dos cofres públicos exige profunda cooperação. Nesta hora o sofrimento com esperança é o único jeito. A democracia precisa ser mantida nas disputas cotidianas, como única maneira de reconstruirmos o esperado novo alvorecer para a sociedade. A escolha dos mandantes é resultado da consciência de seu povo. “Qualescunque sumi viri sunt. Talen civitatem habemos” (teremos bons mandantes o quanto forem qualificados os cidadãos).


Fim do negacionismo

O prefeito reeleito em São Paulo Bruno Covas apontou a necessidade de aliviar a falta de bom senso e eliminar o negacionismo tóxico inadvertidamente promovido por algumas autoridades. A grande fonte negacionista sem o devido respeito à verdade foi escancarado por hostes alojadas no governo federal. O auge das aleivosias fundamentalistas deu-se no curso da pandemia com a vulgarização do ritual da palavra. Neste momento histórico da eleição dos EUA, com o próprio presidente Trump sendo forçado a reconhecer sua derrocada política, desiste aos poucos de acerbos em não reconhecer derrota. O único mandatário que mantém o tom autocrático em favor dele é Bolsonaro. Na falta de provas ou razões plausíveis para não reconhecer verdades, invadem a esfera do bom senso, negando queimadas, acusando aleatoriamente inimigos públicos de comunistas e semeando o descrédito em instituições construídas no país ao longo da história. Não podemos, nesta hora, criarmos fantasmas de escoima que prejudicam o dever do governo e da sociedade no enfrentamento. Os resultados das eleições sinalizam para uma séria revisão.


Condenação e perdão

Os templos e a formalidade dos cultos religiosos durante a pandemia ficaram reduzidos mais ao simbolismo. Na prática, no entanto, a angústia das famílias e facetas do isolamento evidenciam a necessidade de religiosidade. As preces repetem-se com mais frequência, pedindo força para suportar a crise. Essa intensidade de relação com o criador revela crescimento na reflexão sobre laços religiosos em busca de conforto espiritual. As pessoas são convidadas a refletir sobre o mal dos estigmas, e o julgamento condenatório entre nós precisa ser revisto. Logicamente somos influenciados a repudiar o mal, mas a exagerada força em condenar as pessoas prejudica o dever de nos colocarmos no lugar do outro. É cruel o julgamento que condena tudo o que é da China. Pouco se tem visto falar sobre um sistema que tirou da fome um bilhão de pessoas. Será que este país sofrido pelas próprias incompreensões políticas merece tamanha condenação, e nada de perdão?

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