OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) divulgou na terça-feira, dia 1 de dezembro, documento com algumas projeções globais intitulado “Tornando a Esperança em Realidade: cenários econômicos". Apesar de haver alguma esperança na recuperação econômica global, o documento alerta que a mesma será gradual. A rapidez na produção da vacina contra o coronavírus e a consequente cooperação entre os países na distribuição dos lotes, aumentarão o nível de confiança internacional em uma retomada, mas a mesma possui riscos e incertezas, levantadas pela segunda onda do covid, que se dissemina com velocidade, principalmente no hemisfério norte. As campanhas de vacinação, políticas públicas acertadas na área da saúde e o suporte financeiro dos governos podem elevar o PIB global para 4,1% em 2021, depois de uma queda de 4,2% neste ano. A recuperação econômica está atrelada diretamente com a gestão dos governos em relação às vacinas.

 

Gestão pública e confiança 

O cenário da recuperação econômica dependerá, portanto, da capacidade em driblar os obstáculos incertos da segunda onda do covid. O risco de atraso na distribuição das vacinas e a dificuldade de controlar as variáveis complexas do vírus podem puxar a projeção da OCDE para baixo, diminuindo a confiança internacional. A recuperação mais rápida, conforme o documento, dar-se-á nos países asiáticos, podendo chegar no fim de 2021, nos mesmos patamares pré-pandêmicos de 2019.

 

Os pilares 

Segundo a OCDE, o aumento da confiança na recuperação global dependerá de quatro fatores essenciais na gestão da pandemia: 1) Fortalecimento das políticas públicas de saúde, com investimento nos sistemas de saúde, testes abundantes para detecção do vírus e consequente política eficiente de isolamento/distanciamento, que evite as pesadas restrições de um lockdown; 2) Auxílio às pessoas. A pandemia aprofundou significativamente o nível de desemprego. Os países devem trabalhar com políticas inteligentes para o retorno desses trabalhadores em novos postos de trabalho, em debates construtivos com a iniciativa privada; 3) Suporte aos pequenos negócios. As pequenas empresas foram as que mais sentiram os desafios impostos pela pandemia. Aqui o foco seriam os programas de crédito e de auxílio facilitado, que deveriam perdurar por mais tempo, não sendo demasiadamente episódicos; e 4) A educação das crianças. O futuro mais distante dependerá das ações tomadas com a educação neste momento que as restrições severas prejudicam o acesso das crianças à educação.

 

Projeções 

As projeções da OCDE acerca do PIB chamam a atenção. O Brasil, em 2020, encolheria cerca de 6%. A projeção para a Argentina seria praticamente o dobro, 12,9%. A previsão é que ambos os países, mesmo em 2022, ainda não atinjam o nível do PIB anterior à pandemia. O documento ainda aponta que o crescimento dos países latino americanos seria mais lento que a média mundial. Para o documento, apenas o Chile chegará em 2022 com níveis superiores de crescimento ao período que antecedeu a pandemia.


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