OPINIÃO

Um ano surpreendente para a locação de imóveis

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Onze meses se passaram até aqui. Onze meses que em 2020 pareceram anos! Não pela noção do tempo que, de fato, passou em um piscar de olhos, mas pela intensidade de tudo o que vivemos. Na locação de imóveis, essa percepção não foi diferente.

Tudo foi de um extremo ao outro muito rápido, muitas vezes, em poucos dias. A primeira grande mudança veio no primeiro trimestre do ano, enquanto batíamos metas em mais uma campanha de vestibular de verão. Para a Bortolini, foram mais de 100 imóveis locados por mês, a grande maioria por estudantes e profissionais que Passo Fundo atraía. Um movimento que não era novo, mas que ainda era muito forte por aqui.

As coisas andavam dentro da normalidade até que no final de março tivemos que fechar o atendimento presencial da nossa imobiliária. Como se não bastasse o desafio de trabalhar em home office pela primeira vez e de restringir o atendimento ao digital, a partir daquele momento também passamos a lidar com os efeitos da crise econômica que batia à porta de muitas pessoas, inclusive dos nossos clientes.

Aqueles que perderam seus empregos ou que tiveram salários reduzidos precisaram de alternativas para continuar cumprindo com o aluguel. Da mesma forma, proprietários que tinham a locação como complemento de renda viram as negociações como uma nova realidade a ser enfrentada. Pelo menos 50% dos contratos de locação foram negociados neste período, seja com descontos, abonos ou prorrogações de cobrança. Nossa equipe administrativa sempre trabalhou muito para poder equilibrar a relação entre inquilinos e proprietários, mas naquele momento precisou dedicar o dobro de atenção. O bom senso tornou-se requisito fundamental para fazer tudo dar certo. 

A apreensão também vinha da demanda por aluguéis na cidade. Com a interrupção das aulas presenciais, uma grande evasão de estudantes era prevista pelo mercado imobiliário, algo que, felizmente, não aconteceu. De fato alguns estudantes voltaram para a casa dos pais, mas não o suficiente para impactar a locação de imóveis na cidade. Outra previsão que não se concretizou foi a queda brusca no preço dos imóveis. Previa-se uma redução muito grande na procura e consequentemente nos preços dos aluguéis, especialmente dos imóveis comerciais.

Porém, nessa mesma intensidade, veio a volta por cima! Depois de superarmos tantos desafios, o mercado surpreendeu respondendo de forma muito positiva. O que mais movimentou essa retomada foi a mudança na preferência do consumidor final. As pessoas começaram a perceber que o imóvel onde viviam não comportava a rotina do novo normal. Não tinha espaço para as crianças que não podiam ir à escola e muito menos para os pais que precisavam trabalhar. A falta de espaço para relaxar nas horas vagas também pesou na tomada de decisão de muitas pessoas. Então no lugar das rescisões, vieram muitas readequações. Seja de clientes mudando para imóveis mais em conta ou mesmo de clientes mudando para imóveis maiores, mais arejados, mais bem iluminados, com espaço ao ar livre.

Voltamos a bater metas e vimos a locação comercial dar grandes sinais de recuperação. Neste último trimestre, por exemplo, houve um aumento expressivo na busca por imóveis de alto valor, voltados principalmente para a instalação de empresas do ramo logístico, empresas de serviço e do comércio. Sinais que não só ajudam a selar um ano de muito aprendizado e superação, como também trazem esperança de que muitas coisas boas estão guardadas para acontecer em 2021.

Gostou? Compartilhe