OPINIÃO

O desrespeito ataca inocentes

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Não apenas os números frios indicam que a situação se agrava para a vida dos cidadãos, mas a força da esperança é atacada pela dilapidação da incompreensão. A distorção do momento vem de desconsiderações ao direito igualitário humano em preservar a própria vida, contando com a plena solidariedade. O desplante negacionista revela rumo implacável inserido no poder político, inflado por narrativas esdrúxulas. O esforço da ciência em todo o planeta ilumina esperanças no combate à epidemia. Incrível é a relutância de forças escancaradas no poder praticando a loucura e maldade contra a ciência médica e toda a orientação sanitária epidemiológica de inexcedível dedicação. É monstruoso constatar a excitação contrária ao clamor das famílias que gemem o estertor da morte de familiares no avanço da pandemia. Inadmissível que o abandono da causa única do momento seja no sentido de reduzir a urgência do combate a esta doença devastadora. O desolador é o motivo que comanda a grande vilania perante o abalo comunitário. O presidente eleito do Brasil prega o desdém ao indeclinável dever de operar lideranças e poderes republicanos em socorro às vítimas pessoais do coronavírus e à terrível ameaça pública que precisa de contenção. O sentido de compaixão exige concentração excepcional, acima de interesses eleitorais para salvar nossa gente. É dever indispensável e absolutamente prioritário dos comandos dos três poderes, das instituições em dispender recursos materiais para amparar o socorro à saúde nacional. Ao contrário temos assistido execráveis exercícios contrários à pedagogia da unidade nacional tentando dissipar a mobilização no combate à doença. Tem sido doentia a insistência que instiga o desuso de máscaras e a adesão à vacina. Esta é o prodígio da ciência, também atacada por iniciativas dispersivas do nosso governo que prega incondicionalmente soluções paliativas tentando elevá-las a patamar messiânico. O nível da propositada alienação do governo central contra a própria sensatez da estrutura estatal é despropósito moral. As frentes do bem têm a chicana da criminosa negação da realidade. Esta repercute na desobediência nefasta dos que insistem em não observar o distanciamento, promovendo aglomerações. Toda a aglomeração e negação aos procedimentos atinge os próprios infratores e ataca sem limites as pessoas inocentes.

O estranho

Toda a manifestação fora do verdadeiro dever de defender o povo da pandemia, tanto da oposição como do governo, é condenável. Gravíssima é a distorção oficial presidencial, obcecada numa suposta proposta de prestígio eleitoral. A nação não pode esmurrar sua absoluta prioridade de salvação frente à doença devastadora. O episódio que trouxe de volta o ex-presidente Lula ao cenário da disputa eleitoral é obviamente polêmico. Lula apareceu de máscara e revelando preocupação com a pandemia. Os atos oficiais de Bolsonaro, logo em seguida, foram marcados pela mudança no seu estranho hábito de dispensar a máscara na presença do público. Parece que andou obedecendo até o distanciamento à vista da imprensa, em suas aparições. Agora procura impacto na mudança de ministro da Saúde, e já se divulga a nova visão universal do governo em adquirir até a vacina Sputnik, radicalmente condenada por Bolsonaro. As besteiras ditas contra a China por representantes do governo federal, atrasaram a compra de vacina por aqui. Com isso retardamos o combate à pandemia. As dificuldades ocorrem em todos os países, mas o Brasil pode e deve urgentemente ativar soluções pela compra de vacina. Assim, mesmo surdo e estranho ao bom senso o presidente viu-se sacudido pela presença de Lula, que pode voltar à inelegibilidade ou à prisão nos próximos dias. O efeito de forçar os responsáveis por atitudes dignas na salvação do povo é positivo. Os acontecimentos políticos que seguirão importam bem menos. Agora é combater a enfermidade que avança inelutável, com muita gente morrendo sem tratamento digno. Trocar o ministro ou ministra, nada será importante se continuar como revelou Pazuello: “um manda outro obedece”.

 


Gostou? Compartilhe