OPINIÃO

A maldade nas aglomerações

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Há sinais de rescaldo na explosão da pandemia que chegou a níveis intoleráveis, excedendo previsões de alastramento da doença. A contenção ainda em níveis muito elevados de internações e mortes vem com a preocupação alertada pela alta incidência de pacientes acometidos entre jovens e adultos, não idosos. Nesse contexto de apreensão deparamo-nos com as aglomerações preconizadas e condicionadas aos protocolos de precaução. Durante um ano de cuidados, incluindo uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento, chegamos à compreensão razoável quanto aos procedimentos. A grande maioria entende que a consciência permanente do distanciamento, adaptada às necessidades para as atividades do trabalho ameniza os terríveis prejuízos na economia. Está claro, no entanto, que o comportamento agressivo e criminoso visto nas aglomerações clandestinas é pura maldade. As tais festas clandestinas potencializam portadores da covid. São erupções incontroláveis que incluem excessos de bebida e não raro o consumo de drogas. Estes ambientes de comportamento marginal invariavelmente são focos de contágio. Seus protagonistas são estimulados por vezeiros dos encontros clandestinos, crime organizado com práticas forjadas em estruturas anteriores à pandemia. Esses vetores da contaminação agem alheios ao mal que praticam contra a sociedade que observa as defesas. Eles agem com enorme perversidade em atitude criminosa e empresarial da clandestinidade. Não há fiscalização que consiga conter tanta ausência de cooperação. As aglomerações surgem das mais diferentes estratégias para burlar a orientação fiscalizadora. Os casos são tantos que o caráter clandestino desaparece. São muitos casos de irresponsabilidade e ódio contra a prevenção. Situação terrível! Ausência de qualquer sentido de consciência coletiva. Incitados das mais diferentes formas eles interessam aos organizadores das festas e encontros. Eles dão lucro aos criminosos que organizam as festas, contaminadas pelos abusos de aglomeração, sem uso de máscaras, sem cautela nenhuma. Não analisamos, aqui, a moral da tétrica bacante mas a certeza da contaminação facilitada pela esdrúxula junção. E estes extravagantes frequentadores contaminam-se entre si e levam o vírus para a família e ambiente de trabalho. E eles sabem o que estão fazendo.

 Impossível

O combate oficial ao desregramento nas festas clandestinas tem sido na medida do possível. Fiscais das prefeituras, policiais civis ou militares enfrentam a ousadia dos delinquentes que atentam contra a saúde e, lamentavelmente, ficam expostos aos contágios.

 

Mau exemplo

A orientação do governo federal, especialmente na obrigação de curadoria social é a pior do mundo. O bom exemplo das autoridades em cumprimento ao dever cívico apresenta decepção pelo caráter lunático do negacionismo e ausência de compaixão. Não estamos empenhados em julgar algumas personagens fanáticas da omissão, mas lamentamos o estado de horror a que chegamos. Afinal, são quase 400 mil mortos, além das complicações conhecidas no sistema de saúde pública. Referimo-nos ao esforço indeclinável para amenizar o sofrimento geral e o congestionamento das emergências. Vivemos um clima de perigo que clama por responsabilidades de todos, especialmente das instituições e autoridades. Não se trata de nominar culpados pela complicada pandemia, mas a pressão prioritária é pela dignidade da atenção que urge e que o povo merece.

 

Esperança

 Já temos dito o quanto é comovente o esforço dos profissionais, centros de pesquisa, quadros de servidores, médicos e enfermeiros, na luta ingente para atender afetados pela pandemia. Ao mesmo tempo os laboratórios, especialmente o Butantan, em sua larga experiência científica, reconhecida pela ANVISA, fazem aceno concreto de salvação. É o desvelo que nos restitui a crença no potencial humano para enfrentar a crise. A imprensa realiza trabalho importante nesta hora. Entre erros e acertos surge evidente a missão de informar e opinar nesta meta dramática e prioritária de combate ao terrível vírus. Graças às pressões meritórias de muitas instituições e mentalidades mais esclarecidas a vacinação chegou. Não há tempo para mencionar erros passados ou mais recentes nas precauções oficiais. Urgente é focar na vacina. Observadores dos Estados Unidos estimam que o Brasil atingirá 500 mil mortos até o final de junho. Mas há esperança de reverter a gravidade com os primeiros efeitos da vacina aplicada. A CPI do Senado investigará graves problemas e certamente apontará soluções.  

 

 


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