OPINIÃO

A missão Stéfani

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A missão Stéfani

Imagine a humanidade sendo devastada por uma doença. Uma única nação incrustrada na Floresta Amazônica, Tazur, sobrevive. Mas, em vez de uma sociedade mais justa, intensificam-se a desigualdade, a miséria e a corrupção. Um governo ditatorial, negligente aos anseios da população e preocupado apenas consigo mesmo toma conta do país. Eis os ingredientes que darão origem ao grupo revolucionário e secreto denominado “A Missão”, cujo objetivo é tirar os governantes do poder e implantar a democracia. É assim que a escritora passo-fundense Stéfani Pinheiro Paludo deu início à trilogia “A Missão”, que começou com a publicação, em 2018, do primeiro livro, denominado “A Missão” (disponível na Amazon: http://bit.ly/A-Missão), cuja história culmina na derrubada do governo e a assunção de uma Junta Provisória que passou a dirigir Tazur e a enfrentar uma série de desafios.

O livro 2 da trilogia “A Missão”, recém-publicado, chama-se “O Desafio”, em alusão ao desafio que o novo grupo no comando de Tazur, enquanto preparava as eleições, passou a enfrentar e que consiste, essencialmente, na identificação de quem é o verdadeiro inimigo. Deixo o convite: venha conhecer Liss, Júlio, Andrew, Karina, Danilo, Thomas, John, Miguel, Marechal e a sedutora Margareth e suas aventuras e desventuras em Tazur. Uma obra instigante, escrita com respeito à língua culta, personagens complexos e capítulos e diálogos estruturados de forma a facilitar a leitura. A autora trabalhou muito na construção dessa trilogia, estudou o modo de vida nos quarteis, os valores dos militares, os treinamentos e o uso de armamentos. Buscando dar verossimilhança à história, usou as suas habilidades como arquiteta para desenhar as plantas baixas do Complexo Governamental e dos quatro pavimentos do Palácio do Governo, onde se passam muitas das cenas.

A trilogia “A Missão” faz parte das chamadas distopias literárias, cujos autores e obras símbolos, para citar apenas dois nomes e títulos, seriam Margaret Atwood e George Orwell e os livros “O Conto da Aia” e “1984”.

Stéfani Paludo faz parte da nova geração de escritores de Passo Fundo. Escreve desde a adolescência e, como muitos, iniciou publicando em plataformas de leitura digital e gratuitas. O gosto pela literatura ela desenvolveu desde criança, a partir do estímulo à leitura dado pela família. E consolidou na Escola Estadual de Ensino Médio Adelino Pereira Simões, Vera Cruz/Nonoai, cujos projetos de incentivo à leitura e à escrita envolviam a tal ponto os alunos que, nos intervalos das aulas, mais do que desfilar grifes da moda, o bacana era andar pelos corredores e pátio do colégio segurando os best-sellers do momento.

O colunista, depois de ter lido “O Desafio”, ficou com a mesma sensação que teve, quando, em outubro de 2003, aqui, nesse espaço de O NACIONAL, por ocasião do lançamento de “Por que os homens não voam?”, escreveu que Pablo Morenno, na ocasião, era o dono do melhor texto da imprensa de Passo Fundo e, possivelmente, o nosso melhor escritor do século XXI. Dezoito anos passaram e Pablo virou o escritor local que mais vendeu livros e se tornou o premiado editor da Physalis. Ou quando, na coluna de 20 de agosto de 2011, destacou Marceli Andresa Becker como um dos expoentes no grupo de jovens escritores locais. A autora de ensaios e poemas que buscava “enlouquecer” a linguagem com o auxílio de imagens e, mesmo em meio a tantas influências, conseguia um tom próprio que a tornava singular. O sucesso de crítica do livro de estreia de Marceli (Mar Becker), “A mulher submersa”, lançado em 2020, diz tudo.

A missão de Stéfani não é concluir a trilogia “A Missão”. É outra: sobressair o seu nome no raro grupo de escritores locais que se aventuraram a escrever romances. Talento ela tem. Uma questão de tempo.

Hoje à noite (13/08/2021), das 18h às 21h, na Livraria Delta do Passo Fundo Shopping, sessão de lançamento de “O Desafio”. Venha conhecer Stéfani Paludo. Conversar com a autora. Pegar o seu exemplar autografado. Justifique o título de Capital Nacional da Literatura. Prestigie os escritores locais!

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