A guerra da Rússia contra a Ucrânia, longe de ser uma “Guerra Fria”, tem proporcionado uma escalada de tensões que não vimos, ao menos, desde o final da Segunda Guerra Mundial. Com seus últimos movimentos, Putin tem conseguido unir e dar um propósito renovado para a OTAN e para a União Europeia e, talvez, não esperava esse desiderato e, muito menos, a resistência demonstrada pelo povo ucraniano, que no contexto geral, tem criado dificuldades para o avanço russo. Nestes últimos dias, as relações internacionais demonstraram uma série de indicadores importantes, que vão formatando uma nova configuração do poder político global.
Conjuntura global
No aspecto da política internacional, o primeiro indicador relevante é a alteração da narrativa de Putin ao adicionar o elemento da prontidão nuclear, inclusive com exercícios nucleares, distantes da Ucrânia, mas em um timing nada agradável às potências ocidentais. O segundo indicador é a resolução recém aprovada pela Assembleia Geral da ONU, condenando a ação russa, com a quase unanimidade dos seus membros, em que pese ela ter um efeito mais político e diplomático. O terceiro é que Putin conseguiu com a sua guerra injustificada, dar um propósito renovado para a OTAN, com as novas operações nos países membros no leste europeu.
Contexto Europeu
Na conjuntura da Europa, o Putin estimulou fatos inéditos. O primeiro deles foi a mudança radical da Alemanha no contexto da segurança internacional, fazendo com que o país comece a destinar mais investimentos militares (impensáveis até a presente conjuntura), bem como alternativas ao fornecimento do gás pela Rússia. Chamou atenção também o posicionamento da Suíça, que a mais de século mantinha a sua histórica neutralidade e, agora, passa a condenar a guerra de Moscou. Avançou também o pedido por parte da Ucrânia em aderir à União Europeia, já com o aceite formal do bloco, em tempo inédito. O processo de adesão ainda deve demorar, mas é um passo importante, uma vez que a Ucrânia poderia evocar o artigo 42 da União, que fala sobre a defesa de eventual guerra (injustificada) em curso contra os seus membros.
As sanções internacionais
Nesse aspecto, parece que Putin também foi surpreendido, já que os anúncios de sanções não se esgotam e criam cada vez mais um cenário desafiador à Rússia, dado o seu possível isolamento, ainda mais com a atual postura neutra da China. Grande parte do espaço aéreo se fecha para Moscou, bem como os portos, de acordo com anúncio recente do Reino Unido. Sem levar em conta a exclusão de Moscou do sistema SWIFT, o congelamento dos ativos de grandes oligarcas, o boicote de grandes empresas com operações na Rússia e até mesmo a possibilidade (mais remota) de sanções ao petróleo e gás russos. Tudo isso poderá levar a Rússia à falência, o que seria uma amarga humilhação ao Putin.
Os últimos movimentos
Ao achar que a guerra e as reações seriam controláveis, no momento, parece que Putin busca escalar cada vez mais o conflito para a sua própria sobrevivência, uma vez que o recuo também seria uma humilhação, ainda mais para um ditador vaidoso e frio.


