Conservadorismo (2)
O sentimento conservador
Toda pessoa madura compartilha um sentimento com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar são bens coletivos, dependem da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Entretanto, a despeito de sua importância, o trabalho de destruí-los, diz Scruton, “é rápido, fácil e recreativo; o labor de criação é lento, árduo e maçante.”
Relação de gerações
Edmund Burke (1729-1797) via a sociedade como uma parceria entre os vivos, os mortos e os que estão por nascer. “As coisas pelas quais os antigos lutaram e pelas quais deram a vida não devem ser desperdiçadas em vão. São propriedade de outros que ainda estão por nascer. O conservadorismo deve ser visto dessa maneira, como parte de uma relação dinâmica entre as gerações.” Somos herdeiros de coisas excelentes e raras, por isso, sejam quais forem nossas convicções particulares, deveríamos ter consciência que a vida política deveria ter como objetivo primordial protegê-las, não só em nosso benefício, mas também de nossos filhos e das futuras gerações.
A importância das tradições sociais
As tradições sociais são de muita importância para o conservadorismo. Elas não são costumes arbitrários que devem ou não sobreviver. São formas de conhecimento, resultantes das tentativas e erros das pessoas tentando ajustar suas condutas sociais. Existem porque fornecem informações necessárias sem a qual a sociedade não pode ser capaz de se reproduzir. Sua destruição significa eliminar as garantias de uma geração para a geração posterior.
Família
Muitos são os valores tradicionais de uma sociedade que o conservadorismo se empenha em proteger. A família é um deles. Somos naturalmente comunitários. Vivemos em sociedades unidos por laços de confiança mútua, estimulados e ampliados pela família e pela vivência pacífica com nossos vizinhos e amigos. “Precisamos de uma casa partilhada, um lugar seguro no qual nossa ocupação permaneça indisputada e possamos pedir a ajuda de outros em caso de ameaças. Enfim, precisamos do amor e da proteção fornecidos pela vida familiar.”
Luz na Caverna
Roger Scruton, Como ser um conservador. Record, 2015.
Roger Scruton, Uma filosofia política: argumentos para o conservadorismo. É Realizações, 2017.
Roger Scruton, Conservadorismo: um convite à grande tradição. Record, 2019.


