Afinal, qual seria o objetivo último de uma sociedade organizada? Nos períodos precedentes aos grandes feitos da história, costumamos trazer à luz alguns de seus contornos que contribuíram ao desfecho daqueles, como uma antecipação quase otimista de que um grande feito pudesse se repetir. Mas a história não é determinista e a humanidade segue o seu curso incerto, a depender, para muitos, só dos homens. Na minha concepção o “pai fundador” das questões sobre a política, entre outras tantas, fora Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C), nascido em Estagira, na Grécia, por isso, muitas vezes, referenciado como o estagirita, comum nos textos filosóficos. Em um de seus inúmeros livros, a Política, certamente é um que toma destaque. O estudo é um dos primeiros a dialogar sobre as formas e os regimes políticos, cotejando-os magistralmente, em uma época em que, em termos de política era possível perquirir sem qualquer melindre de se estar cometendo até mesmo um crime, uma vez que nos tempos hodiernos, até mesmo perguntar, despretensiosamente, sobre um sistema eleitoral poderia ser algo gravoso, até motivo para um inquérito, quem sabe. Para Aristóteles, a felicidade política unida à prática das virtudes (vida ética), levava o indivíduo à eudaimonia (um estado de contentamento virtuoso).
A Constituição de 1824
Neste Domingo (07/09/25), orgulhosamente estaremos a lembrar do 203º aniversário da Independência do Brasil. De lá para cá, muita coisa mudou. Com o golpe republicano, o Brasil adentrou em uma sorte de instabilidades políticas e até mesmo conflituosas, de todos os gêneros, que ainda vemos estampadas nos jornais. Aqui, uma curiosidade surge e lembra que já tivemos um “Brazil” cujo propósito era a felicidade política, como recorda o preâmbulo da nossa primeira Constituição (aristotélica por essência), a de 1824, onde lemos, no original: “DOM PEDRO PRIMEIRO, POR GRAÇA DE DEOS, e Unanime Acclamação dos Povos, Imperador Constitucional, e Defensor Perpetuo do Brazil : Fazemos saber a todos os Nossos Subditos, que tendo-Nos requeridos o Povos deste Imperio, juntos em Camaras, que Nós quanto antes jurassemos e fizessemos jurar o Projecto de Constituição, que haviamos offerecido ás suas observações para serem depois presentes á nova Assembléa Constituinte mostrando o grande desejo, que tinham, de que elle se observasse já como Constituição do Imperio, por lhes merecer a mais plena approvação, e delle esperarem a sua individual, e geral felicidade Politica.”
Seremos felizes politicamente?
Do golpe e da quartelada militar, o Brasil mergulhou em um mar de crises que se acumularam historicamente. Das Constituições que sucederam a de 1824, encontramos: (a primeira republicana de 1891 e a de 1934, cujos preâmbulos citavam por primeiro [nós os representantes do povo] – formando desde já uma casta política, cuja felicidade devia ser a deles e não a do povo. A de 1937 preocupa-se com a ordem e autoridade. A de 1946, mais uma vez, com a casta política (e a sua felicidade). A de 1967, parece ser o preâmbulo mais singelo, sequer vinculado a uma ideia de felicidade. Por fim, a de 1988, que mais uma vez, coloca o representante do povo antes mesmo do povo, em uma soberania invertida, desvinculada da ideia da felicidade política. Saibam todos, políticos ou não: O POVO SÓ QUER SER FELIZ. Nessa data, portanto, lembrem-se: não atrapalhem a felicidade do povo! Viva a Independência do Brasil!


