Para os cientistas e seus modelos matemáticos, é difícil prever a erupção de um vulcão. Os dados que possuem são subterrâneos, frágeis. Às vezes, monitoram os tremores e até mesmo os gases, como efeitos indicativos de uma erupção. Em termos geopolíticos, estamos em situação semelhante, onde é difícil identificar a temperatura (tensões diplomáticas), os tremores (conflitos em andamento), os gases (sinais ameaçadores), as fissuras (rupturas moderadas ou absolutas) até mesmo uma erupção (uma guerra total e destrutiva). A semana passada foi um desses momentos únicos, quando diversas variáveis se somaram, indicando praticamente uma erupção geopolítica, a depender dos desdobramentos.
Sinais, tremores, gases e fissuras
1) A Polônia ativou o artigo quarto da OTAN, após ser atingida por um drone russo, empurrando a OTAN para o tabuleiro da guerra, a ativação só ocorreu sete vezes desde a criação da Organização. Quase 20 drones russos foram derrubados, com ajuda de aliados. Desde a Segunda Guerra, a Polônia não esteve tão perto de uma guerra. 2) No principal discurso europeu (Estado da União), Ursula von der Leyen discorre sobre uma “nova ordem mundial” onde a Europa “terá de lutar”, em um espaço onde muitas potências são “hostis à Europa”. O discurso chega em um momento em que as ameaças russas se tornam mais visíveis, seja na Polônia, ou até mesmo quando o avião em que Ursula viajava à Bulgária, perdeu seu sinal de GPS, por interferência russa. 3) Benjamim Netanyahu procede ataque contra o Hamas no Catar, com discordância relativa de Trump. 4) O Nepal mergulha praticamente em uma revolução, um país com 30 milhões de habitantes entre a China e a Índia, com grande parte de sua população jovem revoltada com um governo comunista e autoritário, que tirou do ar todas as redes sociais, além da falta de oportunidades de emprego, em uma sociedade arrastada à miséria, dependente energeticamente da lenha. para suas necessidades básicas. Prédios do governo arderam em fogo, e não somente os prédios, mas a própria esposa do ex-premiê, que morreu. Várias mortes já são contabilizadas. O futuro é incerto, enquanto os protestos se espalham. 5) Macron nomeou o quinto primeiro-ministro em menos de dois anos. Não demorou para que os protestos tomassem conta das ruas, em descontrole total. A França tem uma dívida de 114% do PIB e o orçamento é um assunto delicado e passará a ser, ainda mais, se a pressão da Assembleia Nacional aumentar, com a possibilidade até mesmo de antecipação de eleições. 6) Após a ocorrência na Polônia, Putin advertiu que o envio de tropas externas na fronteira com a Rússia poderia provocar “terríveis consequências”. 7) A guerra tarifária só piora. Trump solicita à UE que imponha tarifa de 100% contra China e Índia, principais compradores do petróleo russo. 8) Enquanto as forças militares americanas combatem, em águas internacionais do Caribe, o tráfico de drogas, o presidente colombiano, em Manaus! Ao lado de Lula! Defende a legalização da cocaína. 9) Nesse cenário todo, Lula também liderou reunião virtual do BRICS, para levantar ideias anti-ocidentais.
Erupção
Os sinais, tremores, gases e fissuras acumularam-se demais, em uma semana só! Estaríamos próximos de uma erupção geopolítica?


