Vulnerabilidade dos filhos humanos (2) e o casamento
Prematuros, totalmente indefesos, os filhos comprometiam a estratégia sexual masculina: vagar, seduzir e abandonar. Os genes masculinos não seriam passados adiante se os filhos gerados fossem devorados. Essa pode ser a razão para a monogamia, ou da relativa monogamia, de tantas espécies de pássaros. Os ovos abandonados pela mãe enquanto ela saísse em busca de comida não durariam muito. Enfim, as crianças que tinham pai e mãe levariam vantagem sobre as crianças que tivessem apenas um dos pais. Daí a instituição do casamento, uma aliança reprodutiva, formal ou informal, destinada a limitar as demandas de terceiros ao acesso sexual e ao investimento paterno.
Sexo significava reprodução
“Até recentemente os homens caçavam e as mulheres colhiam. As mulheres casavam logo após a puberdade. Não havia contracepção, adoção institucionalizada por não-parentes, inseminação artificial. Sexo significava reprodução e vice-versa. Não havia comida feita com plantas ou animais domesticados, portanto nada com que preparar comida de bebê; todas as crianças eram amamentadas. Também não havia creches nem maridos que fizessem tarefas do lar; bebês e crianças pequenas permaneciam junto das mães e das outras mulheres. Essas condições persistiram ao longo de 99% de nossa história evolutiva e moldaram nossa sexualidade. Nossos pensamentos e sentimentos sexuais são adaptados a um mundo no qual o sexo acarretava bebês, independentemente de hoje em dia desejarmos bebês ou não. E são adaptados a um mundo no qual os filhos eram mais problema da mãe do que do pai. Quando emprego os termos ‘deveria’, ‘melhor’ e ‘ótimo’, pretendo expressar sucintamente ‘estratégias que teriam conduzido ao êxito reprodutivo naquele mundo’. Não me refiro ao que é moralmente correto, atingível no mundo atual ou conducente à felicidade, que são questões inteiramente diversas.”
(Steven Pinker, Como a mente funciona, p. 491)
Amor materno e paterno
A seleção natural parece ter tomado este cálculo de custo-benefício e o transformado em emoção, em sentimento de amor. Não só pela criança, mas uma forte atração mútua entre o pai e a mãe. “O rendimento genético resultante de pai e mãe se dedicarem ao bem-estar de uma criança é a razão de homens e mulheres terem acessos de paixão um pelo outro, inclusive acessos de longa duração” (Robert Wright). Pesquisas em várias culturas parecem confirmar que o amor entre o homem e a mulher parece ter uma base inata.
O que as mulheres querem de um homem
Robert Wright, no livro “O Animal Moral”, cita um estudo pioneiro do psicólogo evolucionista David Buss, sobre as preferências matrimoniais de trinta e sete culturas de todo o mundo. Buss descobriu que, em todas as culturas, as mulheres emprestavam maior importância às perspectivas financeiras do parceiro em potencial do que os homens. A riqueza, a posição e o poder em geral caminham de mãos dadas e parecem constituir um pacote atraente aos olhos da mulher média. A ambição e a disposição para o trabalho parecem impressionar favoravelmente as mulheres. A fêmea humana, de uma espécie com alto investimento nos filhos, pode procurar sinais de generosidade, confiabilidade e, sobretudo, um compromisso duradouro com ela. E os machos têm de demonstrar esse compromisso. Flores e outros presentes que demonstram afeto são mais apreciados pelas mulheres do que pelos homens. Quando vemos uma mulher de grande beleza com um homem feio, geralmente presumimos que ele tem muito dinheiro ou uma posição social de destaque.
P.S. – Fica para a semana que vem examinarmos o que os homens querem de uma mulher.


