OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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Após treze noites consecutivas de ataques pontuais americanos no Irã, Trump ainda tentou avançar uma negociação com aqueles que mantêm algum controle relativo no país. Como negociador, Trump imaginou que a pressão dos ataques poderia demover o regime e a Guarda Revolucionária Iraniana em seus intentos na região. Não demorou para que a conjuntura mudasse drasticamente, com mísseis balísticos dirigidos às bases americanas na região, principalmente na Jordânia. Enquanto esta coluna era redigida, relatórios de inteligência informavam que os ataques iranianos conseguiram destruir aeronaves americanas. O Comando Central dos EUA voltou a debelar a infraestrutura crítica do regime, retornando com as ondas de ataques prévios à tentativa frustrada de pausa para eventual negociação. Elementos também se somaram à desordem no Oriente Médio, com o possível fornecimento de armas ao regime por parte dos chineses e um ataque iraniano no Egito. Países como o Catar e Jordânia, entre outros, manifestam a sua preocupação com o alastramento do conflito para outras frentes, abrindo o leque de cenários no Oriente Médio. A questão central que surge em meio a esta conjuntura delicada é se há potencial para que o conflito e suas inúmeras variáveis possam se tornar uma guerra total. Muitos analistas já consideram esta possibilidade, com ressalvas eventuais. 

Condições 

Devemos lembrar que outras guerras, inclusive de repercussão global, brotaram de eventos relativamente isolados. O estopim da Primeira Guerra Mundial fora o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, é claro, somado com tensões já existentes entre potências militares, que favoreceram a beligerância incontrolável. A guerra total é aquela que mobiliza uma condição militar em larga escala, eliminando até mesmo as mais fundamentais leis da guerra, onde diversos países, entre eles, potências militares, esgotam seus armamentos e exércitos, em uma campanha global, com resultados incertos. Analisando a atual situação no Oriente Médio, podemos dizer que evidências não faltam para induzir um conflito de grandes proporções, mas a resposta não é tão fácil e depende de uma miríade de condições que, talvez, muitas potências não estejam dispostas a sofrer. 

Grandes potências, e menores...

Ao olharmos o panorama atual, as duas potências parceiras do regime iraniano, entre elas, China e Rússia, possuem outras prioridades. A China não está nem um pouco inclinada a adentrar em uma guerra de grandes proporções, uma vez que possui Taiwan como uma variável periférica de maior relevância. Já a Rússia demonstra quase completo esgotamento na guerra com a Ucrânia. Os ucranianos são líderes mundiais em guerras com drones. Com eles, estão conseguindo debelar a economia russa. São filas intermináveis nos postos de gasolina, em decorrência dos ataques contra refinarias russas, por exemplo. Mas uma guerra total não depende exclusivamente da disposição de um país ou outro. Ela decorre de variáveis incontroláveis, que empurram a uma condição inevitável. O Oriente Médio é um vulcão diário, mas, acredito, ainda sem um potencial de promover uma guerra de escala global. Todavia, cada dia é um prenúncio de alastramento do conflito. Novas variáveis surgem, mas a guerra total parece, ainda, estar distante.

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