Receita Federal faz ?EUR~pente fino?EUR(TM) no camelódromo de Passo Fundo

Operação Capital do Norte apreendeu R$ 550 mil em mercadorias

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O camelódromo de Passo Fundo sofreu nesta quarta-feira a investida mais dura da Receita Federal, desde que passou a funcionar nos fundos da praça Tochetto, no centro da cidade, há 15 anos. Durante a operação Capital do Norte, 38 servidores, de diferentes regiões do Estado, com apoio da Brigada Militar, realizaram um pente fino em 32 bancas, com objetivo de combater o contrabando, descaminho, sonegação fiscal e pirataria.

As equipes chegaram ao camelódromo por volta das 10h, surpreendendo comerciantes e clientes. A Rua Paul Harris, nos fundos da praça, precisou ser interditada para a entrada dos caminhões da Receita. Durante a fiscalização, toda mercadoria estrangeira sem documentação, a maioria brinquedos, eletrônicos e equipamentos de informática, foi recolhida. Diversas bancas tiveram as prateleiras esvaziadas. O nervosismo tomou conta dos camelôs e o clima ficou tenso. Houve palavras de protestos pela ação. Policiais do Batalhão de Operações da Brigada Militar auxiliaram no controle de entrada e saída de pessoas do camelódromo durante toda a operação.

As mercadorias foram lacradas e levadas para o depósito da Receita Federal. Os proprietários terão um prazo de 10 dias, para apresentar a documentação para a retirada. Caso contrário, os objetos que não tiverem o selo de qualidade dos órgãos fiscalizadores serão danificados. O restante poderá ser doado. Foram apreendidos 640 volumes de mercadorias.
O chefe da Divisão de Repressão da Receita Federal, André Fonseca afirma que o órgão tem a meta de realizar anualmente pelo três grandes operações nessa linha. “Já fizemos em Caxias do Sul e Uruguaiana, este ano iniciamos por Passo Fundo. O trabalho é divido em duas fases. Na segunda, retornaremos novamente para observamos se o comércio de mercadorias ilegais prossegue” explica.

Auditor da Receita Federal em Porto Alegre, e um dos coordenadores da operação Capital do Norte, Leonardo Iglesias afirma que a ação em Passo Fundo ocorreu principalmente pela quantidade de ônibus e carros de passeio apreendidos nas rodovias, transportando mercadorias trazidas do Paraguai em direção ao município. “Esse foi um dos fatores. Também temos o dever de proteger o comércio legal da cidade. Não é porque a pessoa está estabelecida dentro de um camelódromo que pode vender mercadorias ilícitas” observa.

A jovem Bárbara Godinho, 19 anos, teve a banca esvaziada pelos fiscais. O prejuízo, segundo ela, é de aproximadamente R$ 50 mil. A família está estabelecida no local desde a instalação do novo camelódromo. “Foi um golpe duro. Tiramos o sustento da nossa família deste lugar. São mais de 14 anos nessa luta para perder tudo em um dia. Eu iria iniciar a faculdade de psicologia, mas agora não sei mais. Vamos recomeçar do zero novamente” lamenta. Aos prantos e inconformada, Madalena Aparecida Barbosa Albuquerque, 46 anos, precisou ser amparada pelas colegas. “Nunca vi uma coisa como essa, perdi tudo que tinha” desabafou. Além de perder a mercadoria, os camelôs poderão responder inquérito na Polícia Federal.

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