"?? um desafio atender Passo Fundo", diz delegado da Polícia Federal

Há cinco anos longe de Passo Fundo, Sandro Luiz Bernardi retorna ao município como delegado da Polícia Federal e quer mudar o espectro que a instituição carrega após dois delegados serem afastados acusados de corrupção.

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O delegado Sandro Luiz Bernardi, de 47 anos, está desde março em Passo Fundo, após deixar a cidade de Chapecó, no oeste catarinense, para assumir a Delegacia de Polícia Federal do município, após a aposentadoria do delegado Mauro Vinícius Soares de Moraes. Estava tranquilo na terça-feira (21), sentado atrás de sua mesa abarrotada de papeis. Nesta quinta-feira (23) participará da cerimônia de posse da entidade.

 

Bernardi evita falar sobre os casos recentes que resultaram no afastameno de dois delegados da PF, lotados em Passo Fundo. Diante de um histórico sombrio que permeia a Delegacia de Polícia Federal do município, é que ele encontra os desafios. Bernardi começou a carreira aqui, em 1999 como agente, foi transferido para Dionísio Cerqueira/SC, em 2014, assumindo pela primeira vez como delegado. Em 2018 foi a Chapecó e agora retorna para uma nova gestão.


Como foi a articulação para sua volta?
Depois dos acontecimentos que afetaram a Delegacia, o superintendente resolveu fazer mudança e me fez o convite. Eu estava em Chapecó, pensei bem, e aceitei o desafio. Porque é um desafio atender Passo Fundo.


Por que é um desafio?
Porque é uma Delegacia que tem uma área muito grande. Ela atende a 123 municípios. Então a demanda de investigação é muito grande. E tem a questão indígena na nossa área. Então nesse sentido é um desafio assumir essa área.


E há o desafio de vir de duas denúncias de corrupção dentro da própria instituição, em que dois delegados foram afastados. Isso cria um descrédito de que um órgão que é para combater a corrupção, de repente, está envolvido nela.

 

 

Acha que isso dificulta mais dar crédito ao serviço da Polícia Federal e de reverter a ideia que ficou presa em Passo Fundo por conta do histórico?
Por um lado dificulta porque nunca é bom saber que você tem problemas em um órgão, principalmente em um órgão como a Polícia Federal, que tem que combater a corrupção. Mas acontece em todos os órgãos esses casos e temos que enfrentar. A Polícia Federal sempre toma as atitudes que tem que tomar na hora que tem que tomar para responsabilizar as pessoas que cometem desvios de conduta. Quanto a isso pode ter certeza que a Polícia Federal toma as atitudes necessárias. E também a nossa ideia é retomar, mas nós temos aqui diversos servidores, mais de 40 servidores aqui, que são trabalhadores, dedicados e que vão mostrar para a população a retomada da normalidade das investigações da Polícia Federal.


Como o senhor encontrou a Delegacia em Passo Fundo quando chegou?
É um desafio sempre que agente assume porque cada administrador tem seu método, suas formas de conduzir, então estamos em fase de adaptação dos servidores. Porque tinha uma técnica de trabalho e agora será adotada outra. Mas tudo dentro da normalidade. As pessoas vão se adaptando às novas normas de conduta e a Delegacia vai entrando nos eixos, aos poucos.


Quando o senhor esteve em Chapecó houve uma ampliação da sede da Polícia Federal. Isso é previsto para cá, ou a estrutura que existe em Passo Fundo condiz com a realidade, bem com o número de agentes?

Na realidade a gente precisa ampliar. O ideal é um prédio novo para essa Delegacia. Então estamos em negociação com a superintendência, mas em fase embrionária ainda. Porque esse prédio atual da Delegacia é um prédio antigo, já tem mais de 30 anos. Eram as casas militares, as residências militares, e foi adaptado. Então ao longo do tempo teve que se fazer puxadinhos para ampliar. Então já não é a estrutura adequada. Mas é um processo que leva tempo. A gente precisa trabalhar com a superintendência para achar uma solução para esse problema estrutural. Também a questão de reposição de efetivo, que a gente tem sempre essa dificuldade. Aqui há uma dificuldade de fixação de pessoas, devido à demanda de trabalho também. Então estamos brigando para tentar aumentar o efetivo para atender de forma condizente com a nossa região.


Qual seria o efetivo ideal?
Nós temos aproximadamente 50 pessoas entre policiais e outros servidores. O ideal seria, pelo menos, mais uns dez policiais e outros servidores administrativos. Mas vamos brigar por isso para ver se conseguimos chegar no efetivo ideal.


Dentre as demandas, quais são as mais recorrentes em Passo Fundo?
A Polícia Federal é dividida basicamente em duas áreas: a polícia administrativa, que atua nos passaportes, no controle e registro de estrangeiros, no registro de armas, porte de arma, fiscalização bancária, fiscalização de produtos químicos, que é, também, a que tem mais atendimento à população. E tem a outra área que é a polícia judiciária, que aí é a parte de investigações. Então a Policia Federal tem que se dividir nessas duas áreas com o efetivo que tem. Muitas vezes tem que tirar alguém da investigação para ir para a área administrativa, porque não tem efetivo e, nesse sentido, tentamos organizar da melhor área possível.


Há investigações em andamento?
Centenas!


De quais áreas?
Aqui, basicamente, temos varias áreas. Temos bastante contrabando, tráfico, fraudes no INSS, fraudes contra a Caixa, assalto a Correio... e tudo isso é nossa atribuição. Fraude no seguro desemprego, alguns crimes ambientais, pois temos florestas de preservação nacional na região, a questão indígena também tem bastante. Muitos inquéritos que investigam crimes cometidos dentro de reservas indígenas.


Se teve a impressão nos últimos tempos que a Polícia Federal esteve focada apenas nas questões indígenas, pelo menos em Passo Fundo. Existe uma certa prioridade para determinadas pautas?


Realmente teve um período em que a questão indígena foi muito importante, que demandou muito a nossa atenção porque houve vários homicídios de indígenas. Então teve que ter uma atuação mais forte para investigar esses crimes. Mas a gente não deixou toda a outra área de investigação. Atualmente temos mais de 500 investigações em andamento. Algumas são mais simples, outras mais complexas. E de acordo com a necessidade vai se definindo prioridades para atendimento em todas as áreas.

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