Acusado de feminicídio no Donária é preso em Passo Fundo

Ele foi ouvido nesta quarta-feira na Delegacia da Mulher, mas negou ser autor dos disparos

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Grasiela do Nascimento Pavão tinha 28 anos e foi morta com dois disparos de arma de fogo na cabeça Crédito: Grasiela do Nascimento Pavão tinha 28 anos e foi morta com dois disparos de arma de fogo na cabeça Crédito:
Grasiela do Nascimento Pavão tinha 28 anos e foi morta com dois disparos de arma de fogo na cabeça Crédito:
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O ex-companheiro de Grasiela Nascimento Pavão, acusado de ser autor dos disparos que a mataram no domingo (30), foi preso preventivamente na tarde desta quarta-feira (3) após prestar depoimento na Delegacia da Mulher (Deam). Ele foi encaminhado ao Presídio Regional de Passo Fundo (PRPF) acusado de feminicídio. À delegada ele negou ter disparado contra a ex-companheira e disse que a procurou durante a madrugada para uma reconciliação.

 

A prisão preventiva foi solicitada ainda na terça-feira pela delegada Daniela de Oliveira Mineto, responsável pelo caso, e autorizada na tarde de hoje (3), enquanto ele prestava depoimento na Delegacia.

 

Segundo a delegada “não há duvidas” da sua autoria no crime. A pena para o delito pode ir de 12 a 30 anos de reclusão.

 

Versão distorcida

 

De acordo com a delegada a versão apresentada pelo acusado foi elaborada na tentativa de se livrar da tipificação de feminicídio.

 

Em seu depoimento, o ex-companheiro, de 38 anos, alegou que foi à casa de Grasilela durante a madrugada junto de um irmão, de 20 anos, para tentar se reconciliar. Eles foram casados por oito anos e estavam há três meses separados. Grasiela também já estava morando com outro homem na rua Setembrino Vieira dos Santos, no bairro Donária.

 

Os dois chegaram na casa de Grasiela, bêbados, e teriam chamado por ela, que não atendeu. Então arrombaram a porta.

 

Conforme o depoimento, quando o ex-companheiro de Grasiela a viu ao lado do novo namorado, teve um “apagão”.

 

Um irmão do acusado também se apresentou dizendo ser ele que o acompanhava no dia do crime. Na sua versão, quando ele viu o namorado de Grasiela enrolado em um cobertor, pensou que poderia estar armado, e então atirou, mas que “não tinha a intenção”.

 

Foram cinco disparos de revolver calibre 38, sendo que dois deles acertaram Grasiela na cabeça.

 

O acusado disse ainda que lembra ter ouvido dos disparos e depois ter sido chacoalhado pelo irmão, saindo do “apagão”, e fugindo.

 

A arma utilizada foi descartada após saírem da casa de Grasiela. O acusado negou saber que seu irmão estava com o revólver.

 

Quanto à procedência, o irmão do acusado alegou que comprou a arma há três meses, após ser desligado de uma empresa. O tempo é o mesmo em que o acusado e Grasiela estavam separados.

 

Outras três testemunhas já haviam sido ouvidas e, na versão delas, o irmão que se apresentou ontem não era o mesmo que viram no dia do crime.

 

A delegada estuda as versões, já que reconhece haver semelhanças físicas entre eles.

 

Nem o acusado, nem o irmão apontado pelas testemunhas e nem o irmão que se apresentou ontem possuíam antecedentes criminais.

 

O crime 

 

Grasiela do Nascimento Pavão, de 28 anos, morreu na madrugada de domingo (30) após ser atingida por dois disparos de arma de fogo na cabeça dentro da sua casa, na rua Setembrino Vieira dos Santos, bairro Donária. Segundo testemunhas, o autor dos disparos foi o ex-companheiro de Grasiela, que já a havia ameaçado dizendo que se ela “não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém”.  

 

A mãe da vítima, que mora ao lado, ouviu os disparos e quando entrou na casa de Grasiela disse que viu o ex-companheiro da filha com a arma na mão junto de seu irmão. Ambos fugiram do local. 

 

A mãe confirmou as ameaças que a filha sofria à policia, mas disse que Grasiela não havia registrado denúncia na delegacia.

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