A Secretaria Municipal de Desporto e Cultura foi a primeira a sofrer mudanças que devem ocorrer na administração municipal até o final de março. Na tarde de sexta-feira, 02, o prefeito Airton Dipp exonerou o secretário da pasta Alex Necker, diante da indefinição do PCdoB em permanecer na aliança do governo municipal. Embora, conforme previsão da lei eleitoral, este mês seja o limite para a substituição de pré-candidatos que ocupam cargos de confiança, a indefinição dos comunistas precipitou o início das mudanças. O prefeito Dipp nomeou o funcionário de carreira, Paulo Dutra, para responder interinamente pela pasta de Cultura e Desporto. O presidente do PCdoB, Emerson Broto, afirmou que a sigla vai entregar todos os cargos de confiança que possui no governo.
Dipp disse que deu prazo a todos os partidos da base para que se definissem em relação ao governo até o final de fevereiro. O PCdoB foi o único a não dar uma resposta ao chefe do Executivo. “Eu sempre deixei claro que gostaria muito que o partido permanecesse na base, mas ele não se manifestou”, disse. O prefeito enfatizou que como gestor não pode permitir instabilidade na base aliada e a indefinição do PCdoB poderia prejudicar o andamento dos projetos do governo. “Minha preocupação, como prefeito, é com a administração do município até o dia 31 de dezembro, quando encerra meu mandato. Não posso permitir que este projeto de gestão tenha problemas de viabilidade”, assegurou.
Para Broto a ausência de posicionamento sobre a coligação liderada por PT e PDT não representou descaso com a administração, tão pouco predisposição ao rompimento. “A resposta que nós demos ao Dipp é que o PCdoB não tomou nenhuma definição ainda em relação ao quadro eleitoral, em função de outras indefinições que existem e porque nós entendemos que a chapa Cecconello-Bilibio, não reúne condições para ser vitoriosa no pleito”, completou. Os comunistas sustentam resultados positivos do vereador Juliano Roso em pesquisas para barganhar espaço, exigindo ampliar participação na administração, com a chefia de mais uma pasta. “Fizemos uma reunião com (Rene) Cecconello e (Cesar) Bilibio em que eles afirmaram estudar uma saída política, para que o Juliano retirasse o seu nome da postulação à majoritária, por conta disso ficaria contemplada a permanência do PCdoB no bloco. E nós ficamos esperando o retorno deles sobre qual seria esta saída”, justificou o presidente. Segundo ele, ainda houve descaso da parte do Dipp também em relação ao PCdoB.
Muda o discurso
“Vamos entregar todos os cargos que temos no governo e vamos alterar inclusive nosso discurso, que passa a buscar não só a afirmação do nosso partido, mas a também perspectiva de congregar outras forças que coadunem com a nossa ideia de chapa própria ou uma chapa que venha a construir uma alternativa para Passo Fundo”, anunciou. Ao mesmo tempo em que enseja outra pasta, Broto declarou “nunca nos pautamos por cargos, este não é o nosso objetivo. Acho que os cargos são uma consequência da representação política que um partido atinge e é o que acontece hoje com o PCdoB, se eles não reconhecem isso é da vida”. Questionado sobre a possibilidade de a sigla perder a representatividade na Câmara com a candidatura de Roso à proporcional, Emerson Broto foi bastante otimista. “Temos uma chapa na proporcional em que temos certeza que elegemos um ou dois vereadores. O nome do Juliano hoje é um consenso. As pessoas na rua afirmam que ele tem que partir para prefeito ou vice-prefeito, que precisamos de ares novos”, concluiu.

