Região de Passo Fundo apresenta 5º pior índice de adesão ao isolamento social

Comitê de Dados apontou que apenas 33,3% da população adotou o distanciamento nas últimas duas semanas

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Foto: Luciano Breitkreitz/ONFoto: Luciano Breitkreitz/ON
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Em bandeira preta, mas cumprindo os protocolos mais flexíveis previstos na vermelha, os moradores da região de Passo Fundo estão entre os gaúchos que menos adotam o distanciamento social no Estado. O monitoramento do Comitê de Dados, atualizado no domingo (21), indicou que apenas 33,3% dos mais de 274 mil habitantes da zona geográfica aderiram ao isolamento nas duas últimas semanas.  

Esse índice de vulnerabilidade municipal aos impactos do coronavírus foi responsável por colocar a região em 5º lugar no ranking das localidades com a maior média de circulação de pessoas no território rio-grandense, atrás apenas de Bagé, Uruguaiana, Novo Hamburgo e Ijuí. O estudo desenvolvido para entender o comportamento populacional durante a pandemia mostrou, também, que as consequências da baixa adesão ao distanciamento se refletem no número de contágios pelo vírus, que sobe sempre que o índice de isolamento apresenta quedas. 

Segundo as projeções do governo, os dias úteis são mais críticos para a região de Passo Fundo. Isso porque foi nesse período que apenas 27,8% das pessoas permaneceram em casa enquanto que, aos finais de semana, essa taxa se elevou para 37,4% dos cidadãos que continuaram respeitando as recomendações sanitárias de evitar aglomerações. Ainda assim, o percentual ficou abaixo da média nacional de 38,6% na classificação de isolamento. Capão da Canoa, Porto Alegre e Pelotas mantiveram as médias acima das demais localidades desde o início do mês.  

Em queda 

Se nos primeiros meses da pandemia o Rio Grande do Sul era o estado brasileiro com maior adesão ao isolamento social no país, a vigilância do Comitê de Dados identificou uma piora no comportamento, sobretudo, na segunda quinzena de fevereiro.  

Durante o Carnaval, assim como acontece em todos feriados, o isolamento teve um aumento. Porém, a comparação com o mesmo período do ano passado mostra que esse isolamento foi abaixo do esperado para uma pandemia, segundo o governo gaúcho. Na terça-feira (16), por exemplo, foi registrado um isolamento de 44,2% em 2020 e de 46,1% em 2021. “Um dos fatores que pode ter pesado nesse pequeno crescimento de um ano para outro é que em 2021 mais gente teve que trabalhar durante o feriado”, justificou o estudo. 

Na última sexta-feira (19), dia em que foi anunciado que todo o estado entraria em bandeira preta ou vermelha, se contabilizou o menor distanciamento social registrado desde o início da pandemia: 28,8%. No dia seguinte, o índice foi de 35,2%, o segundo isolamento mais baixo registrado nos sábados, cujo pior foi de 35,1%, em 10 de outubro, que marcava o início de um feriado prolongado.  

Como é feito o monitoramento 

A supervisão do deslocamento dos gaúchos é feita com base na taxa de isolamento a partir de dados coletados de usuários por aplicativos parceiros da empresa In Loco, contratada pelo governo para acompanhar as tendências quinzenais no distanciamento social, utilizando informações de 60 milhões de dispositivos em todo Brasil, com aproximadamente 1,5 milhão desse total no Rio Grande do Sul.  

Através do georreferenciamento, o espaço público é dividido em polígonos de 450 metros de raio. A taxa de isolamento mede, do total de aparelhos que estavam no polígono durante a noite, quantos não mudaram de polígono ao longo do dia. É uma área grande, que não pega uma parte das saídas das residências, principalmente em cidades pequenas, onde a distância média dos deslocamentos é menor, conforme explicou o Comitê de Dados na divulgação dos resultados recentes.  


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