Consolidação da região como polo logístico passa pela duplicação da ERS-153, entre Passo Fundo e Tio Hugo

Rodovia, que integra o corredor que segue em direção ao sul do Estado, apresenta problemas de sinalização e alto índice de acidentes

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Principal acesso para a BR 386, rodovia concentra fluxo intenso de veículos - Foto: LUCIANO BREITKREITZ/ON Principal acesso para a BR 386, rodovia concentra fluxo intenso de veículos - Foto: LUCIANO BREITKREITZ/ON
Principal acesso para a BR 386, rodovia concentra fluxo intenso de veículos - Foto: LUCIANO BREITKREITZ/ON
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Passo Fundo consolida, cada vez mais, sua posição como um dos principais polos logísticos do Rio Grande do Sul. Localizado em um ponto estratégico do Estado, o município funciona como elo entre regiões altamente produtivas do norte e noroeste e os principais centros consumidores, além de rotas de exportação, como o caminho até o Porto de Rio Grande.

Esse protagonismo está diretamente ligado à malha rodoviária que cruza a região, com destaque para a BR-386 e a ERS-153 — corredores fundamentais para o escoamento da produção agrícola e industrial. Ao mesmo tempo em que impulsionam o desenvolvimento econômico, essas rodovias também evidenciam desafios estruturais que ainda limitam o potencial logístico regional.

“Passo Fundo possui uma importância estratégica no contexto logístico do Estado, principalmente pela sua localização geográfica privilegiada. Ele funciona como um ponto de conexão, um hub, entre diferentes regiões”, afirma o economista Julcemar Zilli.

Segundo ele, a cidade atua como um centro de convergência e redistribuição de fluxos. “Diferentes rotas acabam se cruzando pelo município, permitindo o redirecionamento eficiente das cargas para os mais diversos destinos”, explica. 

Duplicação da BR-386 

A duplicação da BR-386, especialmente no trecho entre Tio Hugo e Fontoura Xavier, é considerada uma obra-chave para a logística regional. Após um período de incertezas, a assinatura do quarto aditivo contratual entre a concessionária CCR ViaSul e o consórcio responsável pelas obras trouxe novo fôlego ao projeto.

De acordo com o presidente do Corede Botucaraí, Idionei Vieira, a medida garante a continuidade das intervenções e reforça o compromisso com o cronograma. “As obras já mudaram o ritmo. O que vimos no início do ano era uma desaceleração, mas agora há uma retomada”, destaca.

A previsão é de que o trecho até Fontoura Xavier seja concluído até julho, enquanto a ligação entre Soledade e Tio Hugo deve ser entregue até o final de 2026.

Vieira explica que a duplicação tem impacto direto na segurança e na fluidez do trânsito, além de reduzir o tempo de deslocamento. “A gente já percebe diferença no tempo de viagem. Em condições normais, o trajeto até Porto Alegre tem sido feito em menos tempo”, observa.

Mobilização regional evitou paralisação

Antes da assinatura do aditivo, havia preocupação com a possibilidade de paralisação de parte das obras, com retomada apenas a partir de 2031. A proposta foi rejeitada após mobilização de entidades regionais e lideranças.

Segundo Vieira, os impactos das enchentes e os custos extras enfrentados pela concessionária foram determinantes para o cenário de incerteza. “Houve um desembolso bastante alto para a recuperação de estruturas, como a ponte sobre o rio Taquari e áreas atingidas por deslizamentos”, explica.

Além disso, atrasos no cronograma resultaram em penalidades contratuais, como a redução das tarifas de pedágio. “Quando a obra atrasa, há diminuição na tarifa, o que afeta diretamente a receita da concessionária”, afirma. 

Diante disso, entidades regionais encaminharam reivindicações à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), solicitando o reequilíbrio financeiro do contrato e a garantia de continuidade das obras.

Malha rodoviária 

A BR-386 e a ERS-153 não apenas conectam municípios da região norte, mas integram um complexo sistema logístico que liga Passo Fundo a diferentes partes do Estado e do país.

A partir desses eixos, é possível acessar regiões como Vale do Taquari e litoral, além de rotas que conduzem à região Metropolitana e ao Porto de Rio Grande. Também há conexões importantes com municípios como Tio Hugo, Soledade e a capital Porto Alegre, ampliando o alcance logístico.

Esse conjunto de acessos fortalece o papel de Passo Fundo como centro de distribuição e serviços. “Esse papel favorece a instalação de centros de distribuição, serviços de transporte e estruturas de apoio logístico, além de intensificar o fluxo de pessoas e mercadorias”, destaca Zilli.

ERS-153 concentra gargalos

Apesar dos avanços na BR-386, a ERS-153 segue como um dos principais pontos críticos da infraestrutura regional. Os 42 quilômetros que ligam Passo Fundo a Tio Hugo e integram o corredor que segue em direção ao sul do Estado apresentam problemas de sinalização e alto índice de acidentes.

A falta de duplicação e de melhorias estruturais agrava o cenário. “Existe um gargalo de trânsito ali, altamente perigoso. É uma pauta que precisa ser assumida pela região com urgência”, alerta Vieira.

A rodovia também tem papel estratégico no escoamento da produção, especialmente do agronegócio, sendo uma das principais rotas utilizadas para o transporte até o Porto de Rio Grande.

Para especialistas, a situação da ERS-153 evidencia um desequilíbrio entre a importância econômica da via e o nível de investimento recebido.

Infraestrutura e economia

A qualidade das rodovias tem impacto direto sobre o desempenho econômico da região. Como o transporte rodoviário é predominante no Brasil, as condições das estradas influenciam custos, prazos e competitividade.

“Rodovias bem conservadas reduzem custos operacionais e aumentam a competitividade dos produtos. Já estradas em más condições elevam despesas e podem encarecer o preço final ao consumidor”, explica Zilli.

Ele ressalta que ainda existem gargalos importantes, como a falta de duplicações em trechos estratégicos e a capacidade insuficiente diante do volume de tráfego. “Esses problemas aumentam o tempo de transporte e elevam os custos logísticos”, afirma.

Investimentos são decisivos

Para consolidar o papel de Passo Fundo como polo logístico, especialistas e lideranças defendem a ampliação dos investimentos em infraestrutura, especialmente em rodovias como a ERS-153.

“Melhorias como duplicações e qualificação das vias aumentam a fluidez do tráfego, reduzem o tempo de viagem e contribuem para a segurança”, aponta Zilli. 

Além disso, os investimentos favorecem a integração entre regiões, ampliam o acesso a mercados consumidores e estimulam a produção, especialmente no agronegócio.

Enquanto a duplicação da BR-386 avança e representa um passo importante, a região ainda depende de soluções para gargalos históricos. O equilíbrio entre expansão e qualificação da infraestrutura será determinante para sustentar o crescimento econômico e logístico de Passo Fundo e de todo o norte do Estado.


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