O Banco de Tecido Ocular Humano é o setor responsável por realizar triagem clínica e sorológica dos potenciais doadores de tecido ocular, enucleação – retirada do globo ocular – processamento, avaliação e distribuição da córnea para transplante, garantindo a conservação e a qualidade do tecido para disponibilizá-lo à realização de cirurgia oftalmológica. Os transplantes obedecem à ordem da lista de espera da Central de Transplantes do Estado. “Isto trouxe transparência para a distribuição de tecidos. Hoje os pacientes podem acompanhar a sua posição na lista e evitar qualquer tipo de favorecimento”, destaca o médico responsável técnico pelo BTOH, Eduardo Ventura.
Seis anos após dar início às atividades do Banco de Tecido Musculoesquelético (BTME), um dos oito em funcionamento no Brasil, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) inaugurou em 2012 o Banco de Tecido Ocular Humano (BTOH). O HSVP é o único no sul do país, que em uma mesma área física, trabalha e processa dois tipos de tecidos para transplante.
Conforme orientação da Vigilância Sanitária (VISA), a unidade passou por reformas na estrutura física para viabilizar o funcionamento do Banco de Tecido Ocular Humano. A atual estrutura conta com sala para o recebimento e processamento da córnea e ampliação de área para atividades administrativas.
O HSVP teve no ano passado 26 doadores, resultando em 150 órgãos e tecidos captados e 94 córneas transplantadas. Neste ano já foram oito doadores obtendo um total de 38 órgãos e tecidos captados e 44 transplantes de córneas realizados. Com o credenciamento do BTOH será possível ações voltadas à doação de córneas nos hospitais da região e principalmente os pertencentes à área de abrangência da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO-4). “As córneas que antes eram encaminhadas para Caxias do Sul ou Porto Alegre para serem processadas, agora podem ser repassadas para o HSVP, visto que a distância e o tempo de transporte são reduzidos, resultando numa melhor qualidade do tecido a ser transplantado”, exemplifica Maurício. Desde que o BTOH iniciou suas atividades, já recebeu cinco doações, totalizando 10 córneas.
Medicina & Saúde – Com a instalação do banco, o HSVP sai na frente?
Eduardo Ventura – Certamente, que com a implantação do Banco de Tecido Ocultar Humano, o HSVP sai na frente. Além de ser o único banco na região noroeste e missões do estado do Rio Grande do Sul, a realizar desde a captação dos tecidos, o armazenamento, o processamento e classificação, disponibiliza para a Central de Transplantes o tecido para ser encaminhado para a lista única de pacientes que aguardam pela realização dos transplantes.
M&S – Quais as vantagens de ter este tipo de serviço disponibilizado na nossa cidade?
EV – Dentre as vantagens, a possibilidade de reduzir o tempo entre a captação e a realização do transplante é de suma importância no resultado prático do procedimento. Quanto menor este tempo, maior as chances de êxito. Outro ponto importante refere-se ao transporte dos tecidos, sendo que com o banco em Passo Fundo não é mais necessário encaminhar até outro banco para a realização do processamento.
M&S - Como foi da preparação até a instalação dessa unidade?
EV – O primeiro transplante realizado no HSVP foi efetuado pelo Dr. Lutero Dutra Martins há alguns anos, porém em 1998, iniciou o processo que transformou o HSVP em referência em transplantes oculares desta região do estado. Foram vários os fatores que contribuíram, como: processo de captação de tecidos, realização de transplantes pela equipe, criação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, criação do Banco de Tecidos Musculoesquelético, e finalmente a implantação do Banco de Tecido Ocular Humano.
M&S – Quais os benefícios para os pacientes?
EV – Para os pacientes é fundamental o tempo para a realização do transplante. A implantação do banco de tecidos em nossa região contribuirá para isto, e para diminuir a espera de tecidos para os pacientes que se encontram na lista para a realização de um transplante.


