As gorduras geralmente possuem fama de vilãs quando o assunto é saúde e boa forma. Mas, segundo o Ministério da Saúde (MS), nem todas podem ser totalmente eliminadas da dieta. Entre as funções mais conhecidas da gordura, estão a manutenção da temperatura corporal, formação de hormônios, reserva de energia, proteção dos órgãos internos contra acidentes mecânicos e absorção das vitaminas A, D, E e K que são lipossolúveis, isto é, precisam da gordura para serem absorvidas. Além disso, o equilíbrio das taxas de colesterol depende da escolha e da quantidade de gordura consumida.
Segundo dados do MS, as gorduras insaturadas são consideradas boas para o consumo, sendo divididas entre os ácidos graxos poliinsaturados, o ômega 3 e o ômega 6 e os monoinsaturados, o ômega 9. Já a gordura saturada merece sinal amarelo: deve ser consumida com cuidado. Isso porque quando em excesso, aumenta o colesterol sanguíneo, sendo recomendado a ingestão de menos de 7% das calorias totais.
A verdadeira vilã para a saúde é a gordura trans. Esse tipo de gordura é formada por um processo de industrialização dos óleos vegetais, que de forma natural são bons, transformando-os em gordura vegetal hidrogenada, perigosa à saúde.
Controlando o colesterol
A escolha dos alimentos é essencial no controle das taxas de colesterol. Já pessoas que possuem triglicerídeos elevados devem reduzir a ingestão de doces, açúcar, pães, massas e biscoitos feitos com farinha branca, alimentos gordurosos, frituras e álcool. As fibras também desempenham um papel importante.
Gorduras boas:
•Poliinsaturadas – óleos vegetais como o óleo de soja, milho e girassol possuem ômega 6; soja, óleo de canola, linhaça e peixes de águas frias, como cavala, sardinha, salmão e arenque são ricos em ômega 3.
•Monoinsaturadas – azeite de oliva, azeitona, óleo de canola, abacate e nas oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, amendoim).
Gorduras ruins:
•Saturada – carnes gordurosas, leite integral e derivados, polpa e leite de coco e óleo de dendê.
•Trans – sorvetes cremosos, chocolates, pães recheados, molhos para salada, sobremesas cremosas, biscoitos recheados, alimentos com consistência crocante (nuggets, croissants, tortas), bolos industrializados, e alguns alimentos produzidos em redes de “fast-foods”.
Medicina & Saúde - O que é o Ômega 3?
Tatiane Basso - O ômega 3 é uma família de ácidos graxos polinsaturados (popularmente conhecido como gordura saudável), também chamado n-3 ou PUFA (Polyunsaturated Fatty Acids). O corpo humano necessita de ácidos graxos para diversos processos no organismo, sendo capaz de produzir todos eles, com excessão de dois: o ácido linoléico (ácido graxo ômega 6) e o ácido linolênico (ácido graxo ômega 3). Estes dois ácidos graxos devem ser fornecidos pela dieta e, portanto, são chamados de ácidos graxos essências. O interesse no ômega 3 começou a surgir quando observou-se que os esquimós, apesar de terem uma dieta com elevadas quantidades de gordura, apresentavam uma baixa incidência de doenças cardiovasculares, o que no entanto, parecia uma contradição. Quando se iniciou as pesquisas para avaliar a alimentação dos esquimós, observou-se que o tipo predominante de gordura ingerida por eles, era composta por ácidos graxos polinsaturados, ricos em EPA (ácido ecosapentaenóico) e DHA (ácido docosahexaenóico), duas formas de gordura da família do ômega 3 que são sintetizadas no organismo a partir do consumo de alimentos fontes de ômega 3.
Medicina & Saúde - Por que é importante para nosso organismo?
Tatiane Basso - Através do consumo de ômega 3, diversos estudos avaliaram o seu efeito cardioprotetor. As pesquisas demonstram melhora do perfil lipídico, através da diminuição dos triglicerídeos no plasma, redução do colesterol total e do LDL (Low density protein), conhecido como “colesterol ruim”. Relatos de ação vasodilatadora, efeito anticoagulante, antiagregante, anti-inflamatório e antiarrítmico também foram vistos em estudos.




