O mês de julho começou chuvoso na metade norte do Rio Grande do Sul. Com precipitações que alcançaram até 150 mm em alguns municípios, prejuízos e problemas foram registrados. Em Passo Fundo, houve a distribuição de lonas e também alagamentos. Os estragos foram ocasionados pela chuva em decorrência do El Niño. De acordo com Aldemir Pasinato, analista meteorológico da Embrapa Trigo, nos dois primeiros dias do mês choveu 70 mm. Isso significa que já foram alcançados 42% da média histórica de 163 mm.
O tempo fechado de quarta e quinta-feira (01 e 02) muda a partir da sexta-feira (03), com o sol aparecendo entre nuvens. Contudo, a chuva será substituída pelo frio: os termômetros despencam para a mínima de 1 °C, não passando de 10 °C ainda na sexta. Para o sábado (04), novamente mínima de 1 °C e máxima de 12 °C. Já no domingo, mínima de 7 °C e máxima de 20 °C.
Pasinato destaca que o sábado pode ter geada, mas com sol durante o dia. Já no domingo, haverá leve elevação nas temperaturas e ocorrência de chuva isolada no período da noite. Com relação ao mês de julho, a tendência é de chuvas acima da média histórica, com manutenção de muita umidade, especialmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado. “A característica do El Niño é ter frentes frias frequentes, trazendo chuvas concentradas em alguns dias. O mesmo vale para as temperaturas, que caem com frequência, mas por pouco tempo, com a chegada de seguidas massas de ar frio”, explica.
Problemas em Passo Fundo
O alto volume de chuvas trouxe alerta para cerca de 200 famílias que moram na Vila Pinheirinho Toledo, junto ao bairro Petrópolis. Na quinta-feira, ruas ficaram alagadas e outras esburacadas, dificultando o ir e vir das pessoas. Em alguns casos, famílias tiveram dificuldades para sair de casa ao longo do dia. Conforme moradores, é necessário trabalho de melhoria para evitar novos alagamentos provenientes do Rio Passo Fundo, que tem o leito próximo às residências.
A Vila Pinheirinho Toledo está incluída no mapeamento de áreas de risco geológico realizado no município de Passo Fundo entre os dias 4 e 7 de novembro do ano passado, pelo Serviço Geológico do Brasil, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, e concluído em maio deste ano. Ao todo, Passo Fundo tem 25 áreas consideradas de risco para alagamentos, deslizamentos e quedas de rochas.
Defesa Civil
De acordo com a Defesa Civil de Passo Fundo, foram entregues três kits de lonas plásticas para famílias dos bairros José Alexandre Zácchia, Integração e Vila Luiza, embora não tenha havido registro de granizo ou vendaval. Não houve chamados para outras ocorrências.
Conforme levantamento das estações meteorológicas de Passo Fundo, os cinco pontos de observação registraram acumulado de chuva nas 48 horas variando entre 90 mm (Atitus) e 60,4 mm (Lobo da Costa).
Prejuízos na região
Vários municípios gaúchos tiveram prejuízos com a chuvarada da semana. Em Barão de Cotegipe, o Rio Jupirangaba corta o centro da cidade e, com 150 mm de chuva registrados, acabou transbordando. De acordo com o Corpo de Bombeiros, vias da área central foram completamente tomadas pela água e interditadas por razões de segurança.
Em Sananduva, foram registrados 65 mm de chuva e uma família ficou isolada, recebendo auxílio da Defesa Civil. Em Charrua, duas comunidades sofreram com o transbordamento do Rio Ligeiro, ficando isoladas na quinta-feira.
São José do Ouro
O caso de maior prejuízo foi em São José do Ouro. Já na noite de quarta-feira (01), casas foram destelhadas nas localidades de Cerro Azul e Linha Tanque. Duas famílias precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros e dez pedidos de lonas para telhados foram feitos no município. Além da chuva, fortes ventos ocasionaram destelhamentos e quedas de árvores. Uma cooperativa teve o silo destruído.



