Reconstrução mamária após a mastectomia

Procedimento auxilia na qualidade de vida e na recuperação da autoestima

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Dr. Rafael Martini é médico mastologista do Hospital de Clínicas de Passo FundoDr. Rafael Martini é médico mastologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo
Dr. Rafael Martini é médico mastologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo
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A mastectomia é o procedimento de retirada da mama, indicada como uma das opções nos casos de tumores mamários. Geralmente, este procedimento é seguido pela reconstrução mamária imediata, auxiliando na qualidade de vida e na recuperação da autoestima das mulheres após o tratamento contra o câncer de mama. O médico mastologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Dr. Rafael Martini, explica como este procedimento é realizado. “O Hospital de Clínicas, desde 2011, disponibiliza para as pacientes tratadas por câncer de mama em nosso serviço a reconstrução mamária, com diversas técnicas, podendo utilizar próteses de silicone, expansores ou tecidos autólogo (retalhos miocutâneos, lipofilling). Cerca de 80% das mulheres tratadas com mastectomia no HC são reconstruídas”, informa.

 

Opções cirúrgicas
O especialista explica sobre as principais opções cirúrgicas para a reconstrução mamária após a mastectomia. “A utilização de próteses de silicone é a opção de reconstrução mais utilizada, sempre oportunizando (quando possível) reconstruir no mesmo momento da mastectomia. Quando não é possível realizar reconstrução com próteses, podemos utilizar expansores tecidas (reconstrução em 2 tempos, com posterior substituição por prótese de silicone) ou mesmo retalhos miocutâneos. Refinamentos através da técnica do lipofilling são excelentes opções para melhorar o resultado a longo prazo das reconstruções realizadas”. A escolha pela forma de reconstrução mamária considera o histórico clínico, estilo de vida da paciente, entre outros fatores. O mastologista do HC esclarece alguns dos critérios considerados pela equipe ao definir pela reconstrução mamária imediata ou tardia. “Sempre quando há condições clínicas e diagnóstico mais precoce favorece reconstrução imediata, inclusive com a possibilidade de preservação de pele e areola/mamilo, o que melhora muito o resultado das cirurgias reconstrutivas. Apenas casos de tumores diagnosticados em fases mais avançadas ou quando há doenças concomitantes que elevam o risco cirúrgico ou de complicações pós-operatórias é que é postergado a reconstrução para realizar em fase tardia (após a conclusão do tratamento oncológico)”, complementa Rafael.

 

Autoestima
A integração entre toda a equipe multiprofissional é fundamental para o planejamento do tratamento mais adequado para cada caso. “Não ocorrendo eventos adversos, a reconstrução mamária não interfere nos tratamentos quimioterápicos ou radioterápicos. Lembrando que a reconstrução mamária não é isenta de riscos, muito pelo contrário, tende a ter mais complicações que as cirurgias puramente estéticas. Complicações mais severas são pouco frequentes, sendo muito difícil em nosso serviço retardar a realização de tratamentos adjuvantes, pela possibilidade de tratamentos multiprofissionais quando ocorre algum evento adverso. O trabalho concomitante com a equipe multiprofissional é fundamental”, esclarece o mastologista. O procedimento de reconstrução mamária impacta também na autoestima feminina e qualidade de vida após o tratamento, através da percepção da mulher em relação ao próprio corpo. “É extremamente importante para a autoestima e o retorno da mulher ao convívio social e relações familiares. As mamas são representativas da feminilidade e a sua retirada impacta muito emocionalmente. Por isso, sempre procuramos disponibilizar a opção da reconstrução para procurar amenizar este impacto de uma cirurgia tão agressiva para as mulheres”.

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