Variante delta vai afetar mais os jovens não vacinados, adverte pesquisador

Centro Estadual de Vigilância em Saúde confirmou transmissão comunitária da cepa indiana no RS

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Amostras de contactantes do caso suspeito, em Passo Fundo, também foram remetidas à Fiocruz.Foto: Divulgação/UPFAmostras de contactantes do caso suspeito, em Passo Fundo, também foram remetidas à Fiocruz.Foto: Divulgação/UPF
Amostras de contactantes do caso suspeito, em Passo Fundo, também foram remetidas à Fiocruz.Foto: Divulgação/UPF
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Com a confirmação da ocorrência de transmissão comunitária da variante delta do coronavírus no território gaúcho, feita através de um comunicado do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) no sábado (24), a população jovem está mais vulnerável ao contágio pela cepa considerada linhagem de preocupação por apresentar mudanças no comportamento do vírus. 

A advertência, feita pelo doutor em virologia e professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Luiz Carlos Kreutz, é justificada pelas mutações na proteína Spike, associada à capacidade de entrada do agente causador da doença nas células humanas. “Isso permite que ela se espalhe mais rapidamente. Ou seja, ela tem uma transmissibilidade maior em relação às outras variantes e ao coronavírus original”, explicou o docente coordenador do Laboratório de Diagnóstico do Sars-Cov-2/Covid-19, criado pela instituição de ensino para auxiliar a detecção viral entre os moradores das cidades da região. “Os estudos científicos mais recentes sugerem que ela se dissemina 50% mais rápido que as demais [cepas]. Cada pessoa infectada, infectaria de 4 a 5 outras pessoas”, prosseguiu em entrevista ao jornal O Nacional na segunda-feira (26).  

Sequenciamento 

Detectada pela primeira vez, no Rio Grande do Sul, em 19 de julho, a presença da variante delta já foi confirmada em três residentes do Estado. Os dois primeiros, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, são moradores de Gramado, que têm vínculo e contraíram a Covid-19 no município, e um de Nova Bassano, que contraiu a doença em viagem ao Rio de Janeiro.  

Além deles, a Cevs registrou outros 11 casos suspeitos sendo cinco com amostras enviadas para o sequenciamento genômico na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e seis amostras remetidas, ontem, ao laboratório carioca de pacientes de Passo Fundo, Alvorada, Esteio, São José dos Ausentes, Sapucaia do Sul e Santana do Livramento. No lote, segundo informou o núcleo de Vigilância em Saúde da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, também foram incluídas amostras de contactantes do possível passo-fundense infectado com a cepa indiana. A quantidade de coletas e a razão do contágio, contudo, ainda não foram especificadas. “Essa variante é um perigo maior para as pessoas não vacinadas e, como a maioria da população acima dos 40 anos, já está imunizada com, pelo menos, uma das doses os mais jovens estão em uma situação de risco", ponderou Kreutz.  

Vacinação 

Ainda sem evidências científicas de que a mutação delta do coronavírus provoque uma doença mais ou menos agressiva em relação às outras linhagens, o pesquisador da UPF também ressalta que as vacinas aplicadas durante as estratégias de imunização implementadas nos municípios possuem eficácia contra a cepa. “A vacina da Pfizer, que usa a tecnologia de RNA mensageiro, é 88% efetiva contra os sintomas e até 96% contra a hospitalização. A AstraZeneca é 60% efetiva contra os sintomas e 93% contra as hospitalizações decorrentes da variante. Possivelmente, os outros imunizantes têm uma eficácia similar”, pontuou.  

 Como é feita a detecção 

Após os testes preliminares realizados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen/RS), as análises determinam se a amostra é uma provável variante de preocupação a partir da identificação de mutações específicas que são diferentes entre os tipos de vírus. Ao serem enviadas para a Fiocruz, as coletas passam por um sequenciamento genômico completo, que fornece detalhes do perfil de mutações e classifica com precisão a linhagem de cada amostra. 


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