Grazie, italiani
Passo Fundo é um polo regional cosmopolita. Aqui, a pluralidade começou quando tropeiros paulistas encontraram os povos originários. Em seguida, os alemães ficaram pelo Boqueirão. Os italianos montaram a Vila Victorio Veneto, depois conhecida como Exposição e, hoje, São Cristóvão. E continuou chegando gente: africanos, sírio-libaneses, senegaleses venezuelanos...
A região da São Cristóvão, onde predominam os descendentes de italianos, tem características marcantes. Basta observar que os prédios menores, abrigam a residência no primeiro andar, um comércio no térreo e, não poderia faltar, um porão com vinho e salames. Ainda restam alguns prédios que mantêm essa arquitetura. Espero que sejam preservados!
A comemoração dos 80 anos da República Italiana foi em Passo Fundo, na sexta-feira, no Clube Comercial. Consulado-geral da Itália, vice-consulado e Câmara de Comércio Italiana promoveram uma homenagem às famílias pioneiras que formaram o núcleo de imigrantes na Vila Veneto.
Sabemos que a paz entre os povos passa por uma boa mesa e alguns brindes. O casal Luciana e Erasmo Battistella recebeu convidados com um maravilhoso jantar assinado pelo chef Franco Gioelli. De Bento, è chiaro. O cônsul-geral da Itália, Valerio Caruso, deu aula de diplomacia ao espalhar simpatia entre os convidados.
Oriundi por osmose (nasci em Erechim), participei da festa. Tive o privilégio em dividir a mesa com os casais Leandro Zat, Carlos Mostardeiro e Rodrigo Gelain, do primeiro escalão do ECB Group. E tinha até um norueguês: Knut Karlsen Umoe, cujo excelente português mostrou Passo Fundo cosmopolita e global.
Teve hinos da Itália, Brasil e Rio-grandense. Fabi Beltrami do IHPF contou a história da imigração italiana em Passo Fundo. Enfim, todos reverenciaram a Vila Victorio Veneto e outras mãos que construíram o Gigante do Norte. Grazie, immigrati!
Feira Livre I
No sábado, o pessoal do Batatas realizou um evento em proporções surpreendentes. A Feira Livre do Batatas Volume 2 ocupou o enorme estacionamento do Pub 540, que fica ao lado. E não foi pouca coisa. Participaram 40 expositores, com ênfase aos trabalhos artísticos, comida artesanal, discos e livros para colecionadores e muita música. Se no Batatinhas o espaço é microscópico, a área da feira também ficou pequena para tanta gente. Estima-se, sem exageros, que mais de 2 mil pessoas passaram pelo evento. Só de chope, foram, no mínimo, 10 mil copos. Pinturas, tatuadores, artesanatos, rock, samba e música latina num sábado inesquecível. Para dar conta de tamanho movimento, a galera pegou junto. Tive o privilégio de tomar um chopinho tirado pela primeira-dama do Batatas. O êxito da Feira Livre do Batatas mexe com os neurônios em relação aos eventos.
Feira Livre II
Passo Fundo, por algumas décadas, era chamada de Capital dos Eventos. Em termos de feira ou exposição, não faltam talentos, empreendedorismo, criatividade, gente que faz e necessita mostrar. Onde? Quando? Ora, já tivemos por aqui uma enorme e abrangente feira: a Efrica. Em Erechim, o parque de exposições foi ampliado e recebe constantes melhorias. Além da Frinape, equivalente à Efrica, também realiza todos os anos a Expo Erechim. Se a Feira do Batatas teve 40 expositores e grande público, é indicativo que há, sim, o interesse coletivo para Passo Fundo sediar um megaevento. Pode ser a própria Efrica. Com bom gosto, é claro. O exemplo está aí, sem sertanojo ou apelações popularescas. Isso, porque Passo Fundo já está em outro patamar.
Inércia coletiva
A Casa do Engenheiro Chefe da Viação Férrea continua abandonada. Mesmo após o (primeiro?) incêndio, nada de concreto ou palpável foi feito para salvar o prédio. Logo despenca e, então, dirão que é irrecuperável. E, fiquem de olho, pois pode “incendiar” novamente.
Centenário
O Centenário de O Nacional foi há 356 dias. Portanto, faltam apenas 9 dias para os 101 anos. Até parece piada, mas, um século depois enormes caminhões continuam atravessando a cidade. Somos uma secular terra de passagem.
Pastelaria
Enquanto persiste o fedor da pastelaria aqui embaixo, olho para frente e observo a Chaminé da Brahma. Falta o aroma de cevada e, no mínimo, a iluminação deste monumento histórico.
Trilha sonora
Domenico Modugno - Nel Blu Dipinto Di Blu

