O deputado estadual Miguel Rossetto (PT), relator da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa, apresentará nesta quinta-feira (11) o relatório final da comissão que examinou os processos de concessão de rodovias dos Blocos 1, 2 e 3. Sobre o Bloco 2, que abrange as regiões do Vale do Taquari e Norte do Estado, incluindo Passo Fundo e Erechim, o parlamentar classificou o modelo como muito ruim para a sociedade e pouco atrativo até mesmo para investidores, devido à ausência de propostas no leilão.
Valores dos pedágios
Rossetto destacou os elevados valores das tarifas dos pedágios previstas como um dos principais problemas. Segundo ele, atualmente um carro que sai de Erechim para Passo Fundo paga R$ 4,90. Com a concessão proposta pelo governo, esse valor passaria para R$ 29,00. Para os caminhões, o impacto seria ainda maior: um veículo que sai de Passo Fundo em direção a Lajeado, e que hoje paga R$ 31,00 em pedágios, passaria a desembolsar R$ 204,00.
O relator também criticou o cronograma das obras, que só começariam anos após o início da cobrança das tarifas. Segundo ele, a experiência demonstra que pedágios com valores elevados não geram dinamismo econômico nem social, transformando-se em “verdadeiros muros”.
“As obras viriam apenas quatro, cinco, seis ou até oito anos depois do início da cobrança desses pedágios muito caros. Toda a região vai sofrer os impactos de pedágios elevados”, afirmou.
Como alternativa, o deputado propõe que o governador Eduardo Leite — que, segundo Rossetto, tem “mais seis meses de governo” — preserve R$ 1,5 bilhão para a criação de um fundo financeiro destinado a investimentos nas regiões. “Nós temos que garantir investimentos no prazo mais rápido possível, melhorar a segurança das nossas estradas, do Vale do Taquari até Passo Fundo e Erechim, agora com outro modelo, mais rápido e mais barato”, defendeu.
Rossetto sugere que o próximo governo, ouvindo a comunidade e definindo as obras prioritárias, possa iniciar imediatamente os investimentos por meio do DAER ou da EGR. “R$ 1,5 bilhão é um volume muito grande. Ele pode melhorar significativamente a segurança e a qualidade das estradas para a nossa população”, afirmou.
Em um segundo momento, segundo o relator, poderiam ser discutidas as condições de manutenção dessas obras.
O deputado citou ainda a experiência do polo de Pelotas com a EcoSul, que classificou como um exemplo de tarifas excessivas em contratos com duração próxima de 30 anos. “Nós precisamos de boas estradas, mas também de um ambiente que estimule a economia e os investimentos, sem trazer prejuízos para a integração da sociedade”, concluiu.
O relatório final será apresentado nesta quinta-feira, às 16h, na Assembleia Legislativa.


