Teich aponta falta de autonomia e discordâncias sore cloroquina como motivos para saída do Ministério

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich presta depoimetno à CPI da Pandemia

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Nelson Teich ficou menos de um mês no cargo de ministro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)Nelson Teich ficou menos de um mês no cargo de ministro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Nelson Teich ficou menos de um mês no cargo de ministro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
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O ex-ministro da Saúde Nelson Teich presta depoimento hoje (05) à CPI da Pandemia. O médico assumiu a pasta após a saída de Luiz Henrique Mandetta e ficou entre 17 de abril e 15 de maio de 2020 no cargo, em um mandato considerado relâmpago. Em seu depoimento, Teich abordou os motivos para sua saída, estratégias adotadas e a negociação de vacinas.

Ele afirma que deixou o governo por ter percebido que não teria autonomia para conduzir a pasta. Teich ainda disse que não sabia da produção de cloroquina pelo Exército e que sua orientação sempre foi contrária ao uso desse e de outros medicamentos sem comprovação científica no enfretamento da crise sanitária.

Segundo Teich, “existia um entendimento diferente pelo presidente” Jair Bolsonaro, fato que motivou sua saída do comando da pasta. "Esse era o problema pontual, mas isso refletia falta de autonomia," disse Teich.

Em resposta ao relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o ex-ministro afirmou que nunca foi consultado sobre a produção e distribuição de cloroquina, mas não descartou que possa ter ocorrido, mas “nunca sob minha orientação”, apontou.

O ex-ministro, que é médico oncologista, reforçou que seu posicionamento se estende a outros medicamentos sem comprovação e ressaltou que a cloroquina tem efeitos colaterais.

Pazuello

O relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionou o ex-ministro da Saúde Nelson Teich sobre a indicação de Eduardo Pazuello para a Secretaria-Executiva do ministério. Teich afirmou que a indicação de Pazuello foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro.

Vacina

Teich também afirmou que durante a sua gestão começaram as tratativas sobre vacinas, mas com foco nos estudos clínicos, e não nos contratos. Ao responder o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Teich afirmou ainda que fez contato com três empresas, Astrazeneca, Janssen e Moderna, e que integrantes do ministério podem ter conversado com outras instituições.

Bancada Feminina

Durante o depoimento de Teich, a participação da bancada feminina na CPI da Pandemia voltou a gerar discussão. A CPI tem 11 titulares e 7 suplentes, mas não tem nenhuma senadora. Por isso, as senadoras têm se revezado para fazer perguntas durantes as audiências.

Logo após questionamentos do relator, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), deu espaço para perguntas da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), em nome das mulheres, mas senadores governistas se queixaram alegando que não há previsão para essa concessão no Regimento Interno do Senado.

A confusão começou depois que a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) recebeu espaço para questionamento (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Segundo Ciro Nogueira (PP-PI), não houve acordo para a participação da bancada feminina na CPI."Se foi um erro das lideranças não indicar as mulheres, a culpa não é nossa. [ …] As pessoas ficam querendo dar uma outra versão, como se a gente estivesse perseguindo as mulheres" disse Ciro.  

Em resposta, a senadora Eliziane Gama disse não entender a resistência dos senadores. "Só não entendo por que tanto medo das vozes femininas", apontou. 

Líder da bancada feminina, Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que na reunião anterior, de terça-feira (4), ficou acordado que as mulheres teriam direito de participar das reuniões. Segundo a senadora, “privilégio é algo diferente de prerrogativa”. "O presidente Omar Aziz, quando deliberou ao final da reunião, fez uma concessão ainda maior, que teríamos o direito de ser as primeiras na lista. A questão de ordem já foi resolvida", assinalou.

Mas Ciro discordou. Segundo ele, a questão não foi deliberada. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que o Regimento da Casa “está sendo rasgado”. Marcos Rogério (DEM-RO), por sua vez, apontou que, na falta de acordo, prevalece o que está definido na norma. O senador afirmou ainda que as mulheres querem “dar peia” em Jair Bolsonaro. "O que se busca aqui é engrossar o coro daqueles que querem dar peia no presidente Bolsonaro", disse Marcos Rogério. 

Omar Aziz chegou a suspender temporariamente a sessão, mas ela foi retomada com o direito de fala garantido a Eliziane. Tanto a bancada feminina quanto senadores governistas apresentaram pedidos para que sejam consultadas as notas taquigráficas da reunião de terça-feira. Segundo Omar, a questão da participação das mulheres será discutida após o depoimento de Teich.

Com informações da Agência Senado

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