Não será uma supersafra

Falta de chuva diminuiu um pouco a produtividade da soja. Mesmo assim safra deve ser lucrativa

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

A expectativa de uma supersafra de soja na região não se confirmará. Os problemas com a falta de água até foram amenizados com a volta da regularidade das precipitações neste mês, mas não o suficiente para manter o quadro superotimista que havia se estabelecido. Mesmo assim, o atual estágio de desenvolvimento da cultura permite aos produtores manter uma boa expectativa de lucro, fortalecida ainda pelos bons preços e uma produtividade média estimada entre 50 e 55 sacas por hectare (ha).

O produtor rural Edmundo Ficagna foi um dos que apostou no grão e fez um investimento em tecnologia 15% superior ao de 2012. Ele observa que na área de 75 ha cultivados nas comunidades de São João da Bela Vista e São José a soja precoce deverá ter perdas, dependendo do local da lavoura, entre 10 e 20% na média. Já a soja mais tardia não deve ter queda de rendimento se o clima colaborar. “Vendi cerca de 40% da produção no mercado futuro com preço fixado em R$ 61 a saca. O custo de produção deve ficar em média de 23 sacas por há”, observa. O bom manejo da lavoura garante uma boa condição fitossanitária da área cultivada. Até o momento foram feitas três aplicações de defensivos.

Produtividade
Nos municípios atendidos pela Emater Regional de Passo Fundo a produtividade média das áreas plantadas deverá ficar entre 50 e 55 sacas por hectare. “Não é uma supersafra, mas ainda é uma boa safra de soja”, esclarece o engenheiro agrônomo da Emater Cláudio Dóro. A soja está em um momento crítico de necessidade de água - 10% em floração, 40% em formação de vagem e 50% em enchimento de grãos. O ideal para manter o padrão seria de chuvas semanais de aproximadamente 40 mm, o que supriria a necessidade diária de seis a sete milímetros de água. “O que cabe ao produtor fazer, que é a condução da lavoura, está bem feito. A questão agora é a umidade”, reforça. Dóro lembra ainda que no passado, no mesmo período, a soja estava cotada em R$ 47, hoje está em R$ 57.

Doenças e pragas
Até o momento não foram identificados grandes problemas com pragas e doenças na região. Além da boa tecnologia aplicada no campo, como o mês de janeiro foi mais seco as condições não foram favoráveis para o desenvolvimento das doenças, principalmente a ferrugem asiática, que ficou bem abaixo do nível crítico. Já as pragas foram controladas precocemente com as aplicações preventivas de inseticidas associadas aos fungicidas.

Milho
A colheita do milho nas áreas mais próximas de Passo Fundo ainda segue lenta. Ela deve se intensificar a partir do final do mês. Conforme Dóro a produtividade é muito variada devido às adversidades que a cultura enfrentou como geadas e falta de chuva. “Aquelas áreas que pegaram geada estão na média de 60 a 70 sacas por hectare e aquelas que não pegaram chegam até 150 sacas por hectare. É uma colheita boa”, considera. A safra está praticamente consolidada e a cultura está em fase de perda de água para permitir a colheita.

Gostou? Compartilhe