Colheita da soja avança e produtividade sinaliza reação

Levantamento da Emater aponta que 20% dos grãos produzidos na região já foram colhidos

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Clima tem favorecido esta etapa do trabalho - Foto: Divulgação/Emater/RS-AscarClima tem favorecido esta etapa do trabalho - Foto: Divulgação/Emater/RS-Ascar
Clima tem favorecido esta etapa do trabalho - Foto: Divulgação/Emater/RS-Ascar
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A colheita da soja na região de Passo Fundo já atinge cerca de 20% da área cultivada, conforme levantamento recente da assistência técnica. O avanço dos trabalhos ganhou ritmo nos últimos dias, impulsionado pelas condições climáticas favoráveis, com predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas – fatores que contribuem diretamente para a maturação uniforme das lavouras.

De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, o cenário atual é de evolução contínua no campo, com expectativa de aceleração ainda maior nas próximas semanas. “A colheita tem avançado bastante nos últimos dias e, com esse clima mais seco e quente, o processo de maturação também se acelera. Hoje, já podemos considerar em torno de 20% da área colhida”, destaca.

Avanço

O ritmo da colheita tende a se intensificar rapidamente. Segundo Adami, cerca de 50% a 60% das lavouras já se encontram entre os estágios de maturação fisiológica e prontas para a colheita, o que indica que, em um intervalo de sete a dez dias, praticamente toda a área estará apta para ser colhida. “Já entramos em um processo de colheita contínua. A cada dia, surgem novas áreas prontas, e isso não para mais. Em pouco tempo, praticamente toda a área estará liberada para as máquinas”, explica o supervisor.

As lavouras mais tardias ainda representam uma parcela menor, estimada em cerca de 20%, mas também devem avançar rapidamente para a fase de maturação, consolidando o cenário de intensificação dos trabalhos no campo.

Produtividade apresenta recuperação

Após um início de safra marcado por perdas nas áreas de plantio mais precoce, a produtividade começa a mostrar sinais de recuperação, especialmente nas lavouras de ciclo intermediário. Nessas áreas, a média já varia entre 50 e 55 sacas por hectare, com registros pontuais que chegam a até 70 sacas, dependendo das condições de solo e manejo. “A gente observa uma variação importante de produtividade. As lavouras mais cedo tiveram perdas maiores, com médias entre 40 e 45 sacas por hectare. Já nas áreas intermediárias, há uma melhora significativa, com produtividades de 50, 55 sacas e até mais em alguns locais”, aponta Adami.

A expectativa agora recai sobre as lavouras mais tardias, que ainda estão em fase final de enchimento de grãos, mas apresentam boas condições. Caso o clima siga colaborando, a tendência é que contribuam para elevar a média final da safra.

Mesmo diante de períodos de estiagem registrados entre janeiro e fevereiro, a avaliação técnica indica que as perdas não devem ser tão severas quanto inicialmente se projetava. A estimativa é que a produtividade final fique próxima da média histórica regional, que gira em torno de 3.600 quilos por hectare (cerca de 63 a 64 sacas), podendo fechar acima de 3.400 quilos.

Rentabilidade preocupa

Apesar da recuperação produtiva observada em parte das lavouras, o principal desafio apontado pelos produtores segue sendo a rentabilidade da atividade. O aumento nos custos de produção, aliado à queda nos preços da soja nos últimos anos, tem pressionado as margens no campo. “O grande problema hoje é a rentabilidade. Os custos aumentaram bastante, e os preços não acompanham. O produtor trabalha com risco alto de, às vezes, empatar ou até perder”, alerta Adami.

Entre os principais fatores de preocupação estão os custos com fertilizantes, especialmente fósforo e potássio – fundamentais para a cultura da soja –, além dos adubos nitrogenados utilizados em outras culturas. Segundo o supervisor, esses insumos vêm registrando elevação significativa de preços, impactando diretamente o planejamento das próximas safras.

A situação também já se reflete em outras culturas, como o trigo, que apresenta sinalização de redução na área plantada devido à baixa rentabilidade.

Para garantir retorno financeiro, o nível de produtividade exigido é elevado. “Hoje, para ter uma margem adequada, o produtor precisaria colher algo próximo de 65 a 70 sacas por hectare. Isso não deve ocorrer na média geral, o que preocupa bastante”, acrescenta.

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