OPINIÃO

Não é hora de maldição

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De um lado a imprensa brasileira tem sido importante na divulgação dos escândalos levantados pela Polícia Federal, que geraram sangrias nas finanças públicas e privadas. De outra parte, porém, a interpretação das oscilações dos marcados internacionais produz alarido muito ampliado e pessimista, como se apenas o Brasil erra nos seus investimentos. Quem se recorda das admoestações comparativas de analistas que se empolgavam com o crescimento chinês, menosprezando o crescimento brasileiro. E agora, qual a lógica de crescimento que estes arautos permanentes do ceticismo sentenciam? É evidente que tudo o que acontece no mundo, quedas e subida das bolsas de valores, repercutem aqui, e m outras economias mundiais. E nós também temos a pendenga das propinas. Tudo acresce à fogueira da crise. Não se pode negar. O que irrita é a falta de uma visão mais ampla, sem considerar que há evidente redução de consumo no mundo todo, principalmente na China, o maior comprador de nossa produção. Aí, os analistas pessimistas pisam fundo nas dificuldades em frases feitas que minimizam nosso potencial. Citam a produção agrícola com um desdém melancólico, como se fosse pecado confiar nas boas safras. Martelam sobre a falta de produção tecnológica industrial, coisa que nunca tivemos em competitividade mundial. Jogar isso no debate como novidade é torcer contra. A mídia brasileira comete a obviedade de insistir na dificuldade e pouco valoriza o que temos. Agora, a moda é menosprezar o Pré-sal, como se fosse um erro, por que a cotação do petróleo está em queda, por circunstâncias globais. A política da maldição não ajuda a prosperidade!

Processo de cassação
Com o juízo de admissibilidade pelo TSE, das denúncias de abuso do poder econômico, instala-se a tramitação de procedimento capaz de levantar fatos passíveis da cassação de Dilma e Temer. O acolhimento da ação apresentada pela oposição, especialmente o PSDB desencadeia judicialização do resultado eleitoral, que poderá ser surpreendente. São vários questionamentos que fundamentam a reclamação eleitoral, algumas ainda pendentes de investigação. Certamente todo o peso da gravidade das acusações fica sujeito aos fatos apurados na operação Lava Jato. O Tribunal vai juntar apurações já concluídas para analisar o nexo com o resultado que deu vantagem à candidata Dilma. São apontadas irregularidades formais e possível elo com recursos carreados pela propina. Ressalta-se, neste passo, que se trata de meio democrático de contestação proposto pela oposição perdedora. Em caso de comprovação de fraude, a cassação não é descartada. Será uma questão de mérito. Destacamos que este caminho, via TSE, é a forma constitucional de questionar o resultado das urnas. Toda a oposição passional, ululante ou ensandecida, pode ser inócua pela ausência de adequadas razões. Não se trata de julgamento político de impeachment, mas de decisão do TSE, que deverá concluir pela cassação da dupla presidencial ou pelo arquivamento da ação, por improcedência. Está apenas no começo, mas se trata de processo democrático. Verdades deverão aparecer!

Aperto sem pânico
A crise do estado gaúcho implodiu! Está difícil aceitar, mas as despesas crescem assustadoramente, e a arrecadação é insuficiente. O aperto vai ser longo e cruel, mas não pode gerar pânico. Algumas realidades serão revistas. Os salários desproporcionais, benesses exageradas e sonegação fiscal, abismos de incompetência histórica, pedem revisão urgente!

Retoques:
* O total do roubo nos escândalos nacionais é assustador, mas os acordos de delação premiada e leniência apresentam os primeiros resultados, recuperando quase R$ 2 bi.
* A educação brasileira felizmente trabalha o questionamento ético das pessoas. E tudo começa no ensino básico, além da qualidade cultural. Um dos retratos da falha na formação de caráter é o impressionante volume de plágio nos trabalhos de faculdades. Parece coisa comum, mas é roubo de propriedade intelectual.
* Depois da matéria de ON sobre obras de esgoto em Passo Fundo, a imprensa vem insistindo no tema. Esta percepção do essencial para uma cidade é virtude jornalística, como a matéria veiculada na RBS de Passo Fundo.

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