OPINIÃO

Chega de saudade

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Ontem, quinta, cansado dessa jornada de 80 dias de front ao corona, cansado também das redes sociais que fizeram renascer ao que chamamos em Passo Fundo de “Boca Maldita”, espaço criado em frente ao Bar Oásis para que em liberdade assegurada pudéssemos falar qualquer merda que viesse à mente. A rede social também ressuscita o FEBEAPÁ (de Stanislaw Ponte Preta) - Festival de Besteiras que Assola o País. Sempre pensei que às oportunidades de comunicação seriam para que pudéssemos oferecer o melhor de cada um. O que percebemos é o combate, muitas vezes sem a profundidade e o pior de maneira irresponsável, gente que replica fakes, gente que extrapola o combate no campo das ideias e sai pro pau como se inimigos declarado fossem.

Então, vislumbrei o Almanaque Bertrand, adquirido ali na Garret, Chiado - Lisboa em junho do ano passado e percebi-me por instantes, de forma pretensiosa, Fernando Pessoa. Já tive essas sensações de arroubos injustificáveis ao me sentir Remingway em Saint-Germain (mais um americano em Paris) ou Vinicius em Itapoan. Então, deu-me saudades de tudo o que fiz e do que não fiz nesses 63 anos. A vida revisitada, em tempos de coronavírus, permite – já que temos tempo agora para tergiversações – lembrar com calma dos nossos melhores momentos (de vez em quando bate um momento ridículo e que deveria ser deletado) e isso dá cor à existência. Lisboa é a origem de boa parte de nós, cidadãos que somos de uma país rico e miscigenado. Sente-se o mundo aqui, todas as raças e credos. De lá da terra de Amália Rodrigues (que foi namorada de Aznavour) sinto falta dos parques, ruelas e bondinhos (elétrico 28), como se estivesse transitando entre meus ancestrais.

Também vem a saudade de Salvador, na batida de Luis Caldas; de São Paulo onde canto com Adoniram, de Porto Alegre (Azenha e Olímpico, velho casarão), do Rio (Restaurante Fiorentina no Leme), posto 4 onde vejo João Saldanha, Heleno de Freitas; Saudades de Cruz Alta e de minha infância, enfim.

Perceba, agora que temos saudades também de nossas vidas de ontem imediato; o carnaval passou e o ano ainda não começou. Vou falar com Zuenir para escrevermos 2020 O Ano Que Ainda Não Começou.

Fecho os olhos, largo o almanaque, respiro fundo (ainda bem, saturando 98) e...chega de saudade; amanhã é pega pra capar, é dia de rotinas, é dia de combate.

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