Novembro apresenta recordes de casos de coronavírus

O Cais Petrópolis já realizou mais atendimentos em novembro do que em todo o mês de outubro e setembro

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A média de é de 119 atendimentos por dia em novembro (Foto: Gerson Lopes/ON)A média de é de 119 atendimentos por dia em novembro (Foto: Gerson Lopes/ON)
A média de é de 119 atendimentos por dia em novembro (Foto: Gerson Lopes/ON)
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Após dois meses de queda nos casos confirmados e ativos do coronavírus, durante setembro e outubro, os número voltaram a crescer em Passo Fundo no final de outubro e no mês de novembro. Nesta semana, o recorde de casos ativos foi batido durante quatro dias seguidos. O antigo recorde era de 16 de agosto, época do auge da pandemia, quando a cidade tinha 513 casos ativos. Nesta semana, na segunda-feira (23) a cidade chegou a 567 ativos.

“São classificados como casos ativos todos os que não são considerados recuperados, sejam de pessoas em tratamento domiciliar ou hospitalar, e não evoluíram para óbito. Os dados divulgados diariamente são coletados pela rede pública e também privada”, esclareceu em nota a Prefeitura de Passo Fundo na quarta-feira (18). Com o aumento, também foi orientado que “a população mantenha as medidas de prevenção ao coronavírus. Além dos cuidados com a higienização, é importante manter o distanciamento e evitar aglomerações”, dizia a nota.

O aumento dos casos confirmados começou ainda no final de outubro, na semana epidemiológica de 18 a 24/10 foram 170 novos confirmados. Na semana seguinte saltou para 367. Já entre 08 e 14 de novembro a cidade teve 356 novos casos e de 15 a 19 mais 270. “É devido ao aumento da procura para atendimento. Possivelmente devido aos contatos entre as pessoas não observando as precauções, em especial o uso de máscaras e distanciamento”, apontou a Secretária de Saúde de Passo Fundo, Carla Beatrice Gonçalves. “O motivo é que houve um relaxamento das medidas de cuidados que as pessoas deixaram de ter. Para mim, principalmente nas aglomerações familiares”, destacou o diretor técnico do Hospital de Clínicas (HC), Juarez Antonio Dal Vesco. As festas nos finais de semana, os almoços e as aglomerações durante a noite sem máscaras e distanciamento seriam as principais causas, de acordo com o médico. “Não é nas atividades profissionais”, ressaltou.

Aumento de internações

Também cresce o número de pessoas hospitalizadas. No sábado as internações por Covid-19 voltaram a passar de 100, com 101 hospitalizados. Na atualização de terça-feira (24) às 15h08, o município tinha 82.3% dos leitos UTI Adulto e 63,2% dos Leitos Covid-19 Fora de UTI Adulto ocupados. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) também mostra que a maioria (69,9%) dos pacientes em UTI Adulto são Não Covid-19. Os Leitos Privados de UTI estão com a ocupação em 130,6%. No SUS a ocupação é 62.5%. “Se a gente voltar um pouco, no final de outubro, a gente chegou a ter seis pacientes na UTI, hoje tem 20”, conta Juarez sobre o HC.

Por outro lado, o número de óbitos segue baixo. Entre 08 e 14 de novembro não foram registradas mortes de moradores de Passo Fundo. “Os óbitos vão acontecer mais para a frente. Sem dúvida" vai começar a crescer em breve”, disse o médico. “Eu penso que nós precisamos resgatar a consciência que tivemos nos meses de março, abril e maio", analisa Jurez. Ele defende o distanciamento, mas não isolamento e novas restrições. “Eu posso sair desde que eu use a máscara, não abrace, não pare para conversar”, exemplifica. Três itens são destacados: distanciamento, máscara e higienização das mãos. “Coisas que não precisam parar a vida das pessoas, podemos viver normalmente mantendo esses cuidados”, destacou, ressaltando que é uma questão educativa. “Agora que a gente já aprendeu que precisa ter os cuidados, não precisa fechar tudo. É voltar a adotar as medidas que nós já fizemos”, opinou o médico.

Atendimentos Cais Petrópolis

O Cais Petrópolis, onde funciona o Centro de Atendimento para Enfrentamento da Covid-19, já realizou mais atendimentos em novembro do que nos meses de setembro e outubro completos. Até o dia 19 de novembro foram 2.264 atendimentos, com média de 119 por dia. Em outubro foram 2.244 atendimentos e em setembro 2.175. “A procura tem aumentado”, confirmou a Secretária de Saúde de Passo Fundo, Carla Beatrice Gonçalves, em entrevista em 16 de novembro.

Na semana epidemiológica de 08 a 14 de novembro foram realizados 847 atendimentos. Entre os dias 15 e 19 foram 772 atendimentos. Sobre o aumento, a Secretária acredita que as “interações entre as pessoas, em especial sem as precauções, muito relacionado a viagens e encontros familiares e entre amigos”, são as principais causas.

Entre as informações do boletim divulgado no dia 20 de novembro, chama atenção também o número de transferências de pacientes graves do Cais para hospitais. Até 19 de novembro, foram 70 remoções. Em todo o mês de outubro foram 89 transferências e em setembro 73. ”A maioria não necessita de remoção. São sintomas leves que em cuidados domiciliares melhoram”, conta a Secretária sobre a situação dos pacientes ao procurarem atendimento.

Infografia: Bruna Scheifler

Profissionais de Saúde

Apesar de não ter percebido um aumento da contaminação entre profissionais de saúde, o diretor técnico do HC relata dificuldade com o número profissionais para atendimento nas unidades Covid. “No início da pandemia houve uma paralisação de todos os atendimentos. Os médicos foram para o setor Covid. Agora estamos com os outros atendimentos de outras patologias em plano vapor. Então, os profissionais estão envolvidos em suas especialidades”, explica o médico. Assim, há uma dificuldade em recursos humanos para o setor Covid e o hospital trabalha semana por semana com efetivo “apertado” O diretor explica que o processo seletivo no hospital é permanente.

Restrições

Passo Fundo retornou para a bandeira vermelha, mas segue com protocolos de bandeira laranja e mudanças em poucos setores, como o de eventos. Em live nesta segunda-feira (23) o governador Eduardo Leite comentou a situação atual da pandemia no estado. “É muito importante que a população tenha consciência e ajude, sem aglomerações, evitando festas e eventos onde não haja os cuidados devidos”, apelou o governador. O objetivo é “evitar que tenhamos uma situação que não desejamos na ocupação de leitos de UTI e, pior que isso, na perda de vidas”, segundo Leite. No entanto, o governador descartou novas novas restrições e fechamentos. “Não é a nossa disposição fazer novas restrições, novos fechamentos de atividades”, afirmou Leite. 

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